Os Guarani-Kaiowá de Y’poí sitiados por milícias

Continuamos nossa caminhada de solidariedade. Na fronteira com Paraguai confirmou-se a notícia do confinamento de mais de 80 Guarani-Kaiowá em seu Tekoha. Desde 19 de agosto os índios de Y’poí, município de Paranhos, MS, estão sitiados num pequeno acampamento por milícias da fazenda São Luiz. Os indígenas lutam pelo reconhecimento de área de ocupação tradicional. Em outubro de 2009, os professores indígenas Genivaldo Vera e Rolindo Vera de sua comunidade desapareceram após uma emboscada de homens armados da fazenda. O corpo de Genivaldo foi localizado em um córrego. A cabeça estava raspada e ele estava coberto de ferimentos. Rolindo até hoje não foi localizado.
Apesar da situação crítica por causa das ameaças físicas, da negação urgente de atendimento médico e alimentar, as lideranças de Y’poí afirmaram que os indígenas sitiados permanecerão na área. A comunidade não suporta mais as meras promessas de demarcação e a lentidão da justiça. O Ministério Público Federal reiterou dia 17 de setembro pedido de liminar à justiça, solicitando a liberação da estrada para atendimento básico à comunidade pelos órgãos públicos, como Funai, Funasa e Polícia Federal. Esse é um direito humano que é respeitado até em situações de guerra. Se o MST bloqueia uma estrada por meia hora, logo chegam helicópteros e unidades de repressão para desobstruir a estrada. Não valeria para os Guarani-Kaiowá de Y’poí a mesma lei?
Acesse video da Globo "MS: Indios e produtores rurais disputam terras de fazenda":
Enquanto estávamos realizando nossa visitas pela região de fronteira, no outro lado do território Kaiowá Guarani, a comunidade de Ita’y, em Douradina, que havíamos visitado uns dias antes, estavam enfrentando mais um ataque dos produtores rurais a seu acampamento.

A CNBB condena violência contra os Guarani-Kaiowá
A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, na tarde do dia 22 de setembro, uma nota pedindo a demarcação das terras do povo Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. A CNBB repudiou a violência que os indígenas têm sofrido, especialmente nas comunidades Y’poí, no município de Paranhos, e Ita’y Ka’aguyrusu, em Douradina.
“São ataques a mão armada numa brutal intimidação aos habitantes dessas comunidades que se veem não só cerceadas no seu direito de ir e vir como também privadas de bens essenciais à vida como água, comida, educação e saúde”, diz a nota. A CNBB afirma que a situação exige uma solução “rápida, urgente e eficaz” e “dirige um veemente apelo ao Governo para que faça cumprir os dispositivos da Constituição Federal de demarcar as áreas tradicionalmente ocupadas pelos Guarani-Kaiowá”.
Autor: P.S.
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"Meu Deus é EXALTADO entre as nações!”

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