Retrospectiva de um século, prospectiva de um dia

 
 
`Utopia e Barbárie´, Documentário de Silvio Tendler, na íntegra no youTube:
 

 
A memória lembra passagens pela história. O futuro, se dizia, a Deus pertence. Antigamente, as leis da natureza, os artigos da fé ou os cálculos da razão deram firmeza e certeza às nossas projeções do futuro. Hoje somos aparentemente entregues “ao Deus dará”, a arbitrariedade total. Na era das incertezas, também as três colunas históricas, a natureza, a religião e a razão não sustentam mais um futuro previsível. “Em fim, nada basta” (João da Cruz), nem o silêncio, nem as nossas obras, nem o “Nada te turbe”, da Santa Teresa de Ávila (1515-1582).

 
 
 
 

O Dom do amanhã está na possibilidade de construirmos com os cacos quebrados do passado um vaso para guardar as flores que a vida nos permitiu colher. O Documentário 'Utopia e barbárie' de Silvio Tendler, pode-nos politica e pessoalmente animar de colher flores das ruínas e fazer vasos de espelhos quebrados.
 
 
“Utopia e Barbárie” interpreta os cinquenta anos que precederam o início do século XXI que retratam também partes da nossa vida. O cineasta foi à procura dos sonhos que balizaram o século XX e inauguram o século XXI. O filme fala da geração que viveu as revoluções de esquerda e da contracultura, as guerras de independência na África e na Ásia, a guerra do Vietnã, as ditaduras latino-americanas, a queda do muro de Berlim e a disseminação da globalização e do neoliberalismo, funcionando como um "pensamento único". "Utopia" e "barbárie" são, para o diretor, dois movimentos complementares, sucedendo-se um ao outro pela história - assim como ao sonho igualitário da Revolução Russa de 1917 seguiu-se o pesadelo do genocídio estalinista, ao projeto do Brasil Novo de Juscelino Kubitscheck e João Goulart, a ditadura militar de 1964.
 
 

Viajando nestes anos por 15 países, Tendler acumula entrevistas históricas - como a do lendário general Giap, 94 anos, o estrategista vietnamita que derrotou sucessivamente os colonizadores franceses, em 1954, e os invasores norte-americanos, nos anos 70. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de uma das bíblias para o entendimento do continente, "As veias abertas da América Latina", além do poeta Amir Haddad, do dramaturgo Augusto Boal, e os cineastas Denys Arcand, Gillo Pontecorvo e Amos Gitai, vêm somar suas posições. Todos reveem erros e acertos desta geração que tentou mudar o mundo pelas ideias e pelas armas, e hoje repensa não só os motivos de seus fracassos como tenta entender o contexto atual.
 
 

NOITE INFELIZ: A Nova Evangelização blindada pelo Catecismo Universal.



Os Sínodos representam a recuperação metodológica pré-conciliar. Roma prepara um texto e envia às Igrejas locais. Essas opinam. Roma resume e filtra os textos enviados pelas bases diocesanas e faz algum documento ou toma uma decisão”. As declarações fazem parte do artigo a seguir, escrito especialmente à IHU On-Line.

Por: Paulo Suess

Confira o artigo.

O Sínodo dos Bispos sobre “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã ” realizou-se de 7 a 28 de outubro de 2012 em Roma. A preocupação com a evangelização levou Bento XVI, em 2010, à instituição do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização (NE). As atribuições estatutárias desse Conselho indicadas pelo Motu próprio Ubicumque et semper (21.9.2010) eram bastante genéricas: “Aprofundar o significado teológico e pastoral da nova evangelização”; “dar a conhecer e incentivar iniciativas ligadas à nova evangelização já em curso”; “estudar e favorecer a utilização das formas de comunicação modernas” e “promover o uso do Catecismo da Igreja católica, como formulação essencial e completa do conteúdo da fé para os homens do nosso tempo”. Agora, o Sínodo ofereceu a oportunidade de dar mais profundidade e contornos mais específicos a esse Pontifício Conselho.

A escolha da primeira parte do tema do Sínodo, portanto, era do Papa que queria articular a participação do episcopado universal nas atividades do Conselho para a Promoção da NE. Por conseguinte, o Papa pediu às Conferências Episcopais, aos Dicastérios da Cúria Romana, à União dos Superiores Gerais e aos Sínodos das Igrejas Orientais Católicas “três temas possíveis” para o Sínodo. Desta consulta surgiu, segundo as explicações do Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, Nikola Eterović, a segunda parte do tema, “a transmissão da fé cristã”. Essa segunda parte foi favorecida por setores eclesiais mais pragmáticos que preferiam celebrar os 20 anos do “Catecismo Universal” a celebrações programáticas dos 50 anos do Vaticano II.

Correia de transmissão

Não era difícil unir os dois temas, a preocupação pastoral sobre a transmissão da fé e a necessidade de uma reflexão acerca da nova evangelização, o que permitiu estabelecer como tema do Sínodo: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. A Nova Evangelização, como tema, poderia abrir brechas para mudanças concretas ou propostas de reformas profundas. Por isso, haveria de ser blindada pelo “Catecismo Universal” contra o grito por mudanças estruturais na Igreja: “a evangelização tem por finalidade a transmissão da fé” (cf. Prefácio do Instrumentum laboris, p. 10). Os mecanismos de censura externa e o autocontrole interno do Sínodo permitiram que os textos preparatórios e os pronunciamentos dos padres sinodais protocolados transmitissem a impressão de um sínodo preocupado com conteúdos da fé e não com as estruturas da Igreja que são a correia de transmissão desses conteúdos.

Segundo os textos sinodais, o novo na Nova Evangelização são os métodos catequéticos, as atitudes (mais zelo!), espiritualidade e santidade dos evangelizadores (Prop. 23; 36) que emergem da conversão dos agentes de pastoral (Prop. 22) e que fazem parte de um processo de formação continuada (Prop. 27; 47). Os agentes da NE necessitam novas informações sobre como proceder na primeira proclamação do querigma (Prop. 9) e sobre a Doutrina Social da Igreja (Prop. 24). Para dar conta da articulação entre NE e primeira proclamação, os Padres Sinodais propõem a confecção de um compêndio com diretrizes para os evangelizadores hoje, com dados essenciais sobre o ensinamento sistemático na Escritura e Tradição da Igreja, e sobre os santos missionários e mártires na história da Igreja (Prop. 9). A novidade da NE incide, também, sobre a percepção do mundo em crise e mudanças com seu impacto sobre os interlocutores da Nova Evangelização (Prop. 5). Mas a blindagem contra mudanças no interior da Igreja que poderiam facilitar a transmissão da fé é sem cessar.

A partir do tema escolhido, o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos preparou os Lineamenta, um pequeno compêndio sobre “evangelização e catequese” que, segundo o secretário geral do Sínodo dos Bispos, Nicola Eterović, tinha a finalidade de “suscitar em nível da Igreja universal o debate sobre o argumento escolhido” (4.3.2011). Os Lineamenta estabelecem como objetivo do Sínodo a clássica missão ad gentes, um pouco ampliada e sob o cuidado do corpo episcopal: “Dentro do amplo contexto da evangelização, uma especial atenção foi reservada ao anúncio da Boa Nova às pessoas e aos povos que ainda não conhecem o Evangelho de Jesus Cristo”. Deve-se, segundo os Lineamenta, implementar essa evangelização com “novas formas e expressões da Boa Notícia” e transmiti-la “com renovado entusiasmo”. Entre a publicação dos Lineamenta, dia 4 de março 2011, e o retorno das reflexões das Igrejas locais à Secretaria Geral do Sínodo, antes do dia 1º de novembro do mesmo ano, o tempo era muito curto para socializar o texto nas bases eclesiais. Com o material que retornou destas consultas precárias, a Secretaria Geral do Sínodo preparou uma síntese seletiva, o chamado Instrumentum laboris, texto base e documento de trabalho da Assembleia sinodal, publicado em 19 de junho de 2012. Novamente, restou pouco tempo para assimilar o texto nos diferentes contextos geográficos, culturais e pastorais.

Fila do povo

Domingo, dia 7 de outubro, começou o Sínodo com a Missa celebrada na Praça de São Pedro e a proclamação de São João de Ávila e de Santa Hildegard de Bingen, “Doutores da Igreja”. O Papa, em sua homilia, falou da orientação programática e da assunção plena que esperava do Sínodo, relacionando a nova evangelização “com a evangelização ordinária e com a missão ad gentes [...]. Os três aspectos da única realidade de evangelização se completam e se fecundam mutuamente”.

Depois dos Lineamenta e do Instrumentum laboris, em preparação do Sínodo, chegou a hora dos padres sinodais. Suas intervenções na sala sinodal foram sintetizadas em “58 Proposições”. Segundo as normas do Ordo Synodi Episcoporum, a língua oficial dessas Proposições é latim e seu caráter é confidencial. Por ser difícil, na era da internet, manter esse caráter confidencial, e por entre 263 padres sinodais nem a metade domina mais o latim, o papa liberou a publicação das Proposições, preparadas sob a responsabilidade do Secretariado Geral do Sínodo dos Bispos, numa versão não oficial em inglês. Como também nem todos os bispos que fazem parte da CNBB dominam o inglês, na última reunião do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (Consep), durante os dias 27 e 28 de novembro, foi levantada a hipótese de pedir a licença de Roma para traduzir as Proposições ao português.

As Proposições foram sistematizadas num texto com Introdução (1-3), seguida por uma primeira parte sobre “A natureza da Nova Evangelização” (4-12). Uma segunda parte situa o Sínodo no “contexto contemporâneo do Ministério da Igreja” (13-25), e a terceira parte procura incorporar as contribuições do Sínodo em “Respostas pastorais nas circunstâncias de hoje” (26-40). A última parte versa sobre “Agentes e participantes da Nova Evangelização”.

A coleta dessas Proposições era o resultado de uma imensa fila de bispos, cada um com a possibilidade de falar cinco minutos, em uma das cinco línguas oficiais. A maratona da “fila do povo” nos primeiros dias do Sínodo, que simula participação democrática, também cria vícios. Como certos alunos durante as aulas se refugiam ao iPod para trocar mensagens e responder e-mails que não têm nada a ver com a matéria lecionada, também na aula sinodal o “exercício de escuta” se reduziu, às vezes, à presença física, o que, internamente, provoca cansaço, externamente, na mídia, produziu desinteresse nos assuntos transmitidos, “eclesialmente corretos”, pela Secretaria de Imprensa.

Centralismo burocrático

O resultado desses discursos de cinco minutos é semelhante a uma grande panela de pipoca multicultural, provindo dos quatro cantos do mundo. Quase todos os tópicos relevantes para a pastoral e sua fundamentação teológica foram levemente tocados: Santíssima Trindade (4), inculturação (5), evangelização explícita (6), mundo secularizado (8), proclamação inicial do evangelho (9), o direito de proclamar e escutar o evangelho (10), leitura orante do evangelho (11), hermenêutica da reforma (12), desafios do nosso tempo (13), reconciliação (14), direitos humanos (15), liberdade religiosa (16), preambula fidei (17), meios de comunicação social (18), desenvolvimento humano (19), plenitude da beleza do seguimento de Jesus (20), migrantes (21), conversão (22), santidade dos evangelizadores (23), doutrina social (24), cenários urbanos (25), paróquia (26), educação (27), catequese (28, 29), teologia (30), opção pelos pobres (31), sofrimento (32), sacramentos (33, 37, 38), eucaristia como ponto alto da NE, sobretudo nos domingos e dias de festa (34), liturgia (35), espiritualidade (36), religiosidade popular (39), Igreja particular e paróquia (40, 44), projeto missionário integrado nas atividades pastorais (42), dons hierárquicos e carismáticos da Igreja (43), laicato (45), colaboração entre homens e mulheres (46), formação dos evangelizadores (47), família cristã (48), ministérios ordenados (49), vida consagrada (50), juventude (51), diálogo ecumênico (52), diálogo inter-religioso (53), diálogo entre ciência e fé (54), pátio dos gentios (55), cuidado com a criação (56), transmissão da fé cristã (57), Maria, a estrela da NE (58). Como se percebe facilmente, faltou foco. A NE era um tema amplo demais para permitir prioridades. Sempre haveria reivindicações de um ou outro grupo que “seu tema”, ausente nas Proposições, também faria parte da NE.

O referencial básico dos pronunciamentos era o Instrumento laboris. É sabido que o trabalho do Vaticano II começou com a rejeição dos instrumentos de trabalho preparados pela Cúria Romana. Os Sínodos representam a recuperação metodológica pré-conciliar. Roma prepara um texto e envia às Igrejas locais. Essas opinam. Roma resume e filtra os textos enviados pelas bases diocesanas e faz algum documento ou toma uma decisão. O Vaticano II não conseguiu mexer com o “centralismo burocrático” (Joachim Wanke ) nem com os mecanismos e as expressões pré-modernos de lealdade filial. Logo na primeira “Proposição”, os Padres Sinodais pedem “humildemente ao Santo Padre considerar a oportunidade de fazer um documento sobre a transmissão da fé cristã através de uma nova evangelização”, acolhendo os diferentes textos que acompanharam o Sínodo. Nesse século XXI, em instituição alguma um assessor submeteria seu parecer “humildemente” ao chefe da organização que o chamou para esta função.

Não só as formas como também os conteúdos revelam certa despreocupação com o mundo que os deve acolher. Mas aí já se trata dos temas vetados da igualdade ministerial das mulheres na Igreja e da carência de ministros ordenados de eucaristia. O leitor, possivelmente, se lembra do conto de Kafka intitulado Diante da Lei: “Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde. – ‘É possível’ – diz o guarda. – ‘Mas não agora!’. [...] O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente”.

Forma radical de lealdade

Os Sínodos da Igreja Católica são assembleias de homens com idade avançada. Infelizmente, ainda não podemos falar de “madres sinodais”. Mulheres só participaram como observadoras e convidadas especiais, com direito à voz, porém, sem voto. Na Proposição 46, sobre a colaboração entre homens e mulheres, por exemplo, encontram-se chavões sobre a igual dignidade entre homem e mulher, na sociedade, baseada em sua criação segundo a imagem de Deus. Na Igreja, essa igualdade é baseada no batismo do qual emana uma vocação comum, porém com “capacidades especiais das mulheres, como sua atenção aos outros e seus dons para cuidado e compaixão, particularmente, na sua vocação como mães”. Não se precisa ser feminista de carteirinha para situar este pensamento em séculos remotos. As Proposições mencionam também oito vezes a importância da eucaristia para a vida cristã, mas não mencionam que, por falta de ministros ordenados, mais do que a metade das comunidades cristãs, no Brasil, por exemplo, é estruturalmente impedida de participar de uma eucaristia dominical.

Muitas das questões disputadas na Igreja Católica estão ligadas à interpretação da colegialidade dos bispos e participação do povo de Deus. Está certo, o Sínodo é um organismo consultivo que nesse tempo pós-conciliar fez dos bispos uma espécie de “assessores” do Papa. Cabe a pergunta sobre o caráter magisterial da colegialidade episcopal e se a configuração funcional dessa colegialidade como “assessoria” técnica e meramente opinativa, à qual, canonicamente foi reduzida, não foge desse caráter. A Lumen gentium nos informou: “A ordem dos Bispos, que sucede ao Colégio Apostólico no magistério e no regime pastoral e na qual em verdade o Corpo Apostólico continuamente perdura, junto com seu Chefe, o Romano Pontífice e nunca sem ele, é também detentora do poder supremo e pleno sobre a Igreja inteira” (cf. LG 22b). O “nunca sem ele” inclui o Papa na colegialidade, e não só como supervisor, mas também como participante. Numa relação de colegialidade tampouco cabe o veto à palavra que vem da Igreja local e a exclusão, de antemão, de certas questões e questionamentos embutidos nessa palavra. Crítica significa discernimento. As Proposições falam 26 vezes em discernimentos. A crítica é uma forma radical de lealdade.

O argumento que representantes da Cúria alegam é que, para mudar algo na Igreja, o Papa não deve se sentir pressionado pelo Sínodo. Em outras ocasiões, os mesmos enviados curiais alegaram que mudanças na Igreja Católica são assuntos da Igreja universal e nenhuma Igreja particular pode introduzi-las ou exigi-las sem um consenso universal. Mas onde, senão num Sínodo, teríamos a presença da Igreja universal e a possibilidade de construir um consenso? Nas últimas décadas, poucos impulsos pastorais foram produzidos pelos Sínodos. Tudo isso explica certa calmaria no texto das Proposições, muito em contraste com as tempestades que estão sacudindo as Igrejas locais e a própria governança centralizada. Apesar de certos arranhões institucionais, estruturais e pessoais da Igreja Católica nos últimos anos, ela se trata a si mesma como se nada tivesse acontecido. É surpreendente que na primeira metade do século XXI, no interior dessa Igreja, a autossacralização institucional, subjetiva e simbólica funciona ainda razoavelmente bem. Mas nem tudo que neste mundo funciona bem está de acordo com o Evangelho e, portanto, com a Nova Evangelização.

No retrovisor histórico pode-se dizer que a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos foi uma assembleia ad intra, de uma Igreja em busca de sua identidade no passado. Por conseguinte, despertou pouquíssimo interesse na mídia, no povo de Deus e até entre os bispos que não foram envolvidos numa interlocução real e possível. Fora da imprensa corporativa, os meios de comunicação trataram o Sínodo de outubro com um desinteresse generalizado porque antes de sua realização os resultados já estavam prontos. A ordem dos documentos preparatórios saltava aos olhos: Não precisamos mudar nada; mas apenas intensificar aquilo que sempre fizemos. Fenômenos de crise são temporários e regionais, não estruturais. Basicamente, a paróquia missionária é a solução. Será que no transatlântico católico só precisa trocar o óleo e não, também, algumas peças ou, quem sabe, mudar o rumo?


A tradição maia e o fim do mundo dos cientistas




Pirâmides de Tikal



No dia 21 de dezembro conclui o período de 5.200 anos que os antigos maia determinaram como o início de uma nova era para a humanidade. As autoridades da Guatemala lembram a data no centro arqueológico de Tikal. Os milhões de indígenas que não foram convidados para festa, assinalou Rigoberta Menchú, ganhadora do Nobel da Paz de 1992, celebrarão o 13° B'aktun "em silêncio" e "na intimidade" de sua espiritualidade, longe das luzes e das câmaras. Os mais de US$ 6 milhões que o governo guatemalteco destinou à celebração do 13° B'aktun foram investidos para atrair os turistas estrangeiros para as celebrações oficiais da data, mas não para motivar a participação dos seus descendentes diretos, que, segundo números oficiais, representam mais de 42% dos 14 milhões de habitantes do país centro-americano.
E o fim do mundo? Cientistas afirmam, o fim do mundo já começou, mas a agonia será lenta. Guerra nuclear, pandemia viral, mudança climática: a suposta profecia maia do fim do mundo não será cumprida, mas o Apocalipse já começou e agonia será lenta, alertam os cientistas.

Parte da reportagem é publicada pelo portal Terra, 20-12-2012.


Rigoberta Menchú
"A Terra existe há mais de quatro bilhões de anos e passarão muitos anos antes do Sol tornar nosso planeta inabitável", insistiu o cientista, que criticou as "ridículas" versões que preveem o fim do mundo neste 21 de dezembro de 2012, injustamente atribuído ao calendário maia. Em quase cinco bilhões de anos, o Sol se transformará em "gigante vermelho", mas o calor crescente terá, muito antes, provocado a evaporação dos oceanos e o desaparecimento da atmosfera terrestre. O astro solar resfriará depois, até a extinção, mas isto não nos dirá respeito, explica.
"Até lá, não existe nenhuma ameaça astrônomica ou geológica conhecida que poderia destruir a Terra", afirma David Morrison. A ameaça poderia vir do céu, como demonstram algumas produções de Hollywood que descrevem gigantescos asteróides em choque com a Terra?.
Uma catástrofe similar, que implica um astro de 10 a 15 km de diâmetro, caiu sobre a atual península mexicana de Yucatán, causando provavelmente a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos. Os astrônomos da Nasa afirmam que não é provável que aconteça uma catástrofe similar, em um futuro previsível.
"Estabelecemos que não há asteroides tão grandes perto de nosso planeta como o que terminou com os dinossauros", disse o cientista, acalmando os temores de alguns sobre um fim do mundo em breve. Além disso, se um asteroide provocou a extinção dos dinossauros e de muitas espécies, não erradicou toda a vida na Terra. A espécie humana teria a oportunidade de sobreviver, destaca.
Sobreviver a uma pandemia mundial de um vírus mutante, do tipo gripe aviária H5N1, poderia ser mais complicado, mas "não provocaria o fim da humanidade", explica Jean-Claude Manuguerra, especialista em virologia do Instituto Pasteur de Paris.
"A diversidade de sistemas imunológicos é tão importante que há pelo menos 1% da população que resiste naturalmente a uma infecção", afirmou o especialista da revista francesa Sciences & Vie, que consagrou um número especial ao fim do mundo.


Mercado de Chichicastenango
Apesar da tese de uma guerra nuclear ter perdido força desde o fim da Guerra Fria, não desapareceu completamente. O número de vítimas dependeria de sua magnitude, mas inclusive um conflito regional - como entre Paquistão e Índia ou entre Israel e Palestina- bastaria para causar um "inverno nuclear" com efeitos em todo o planeta, como uma queda das temperaturas que impossibilitaria a agricultura. Os cientistas demonstram inquietação com a mudança climática a alertam que o aquecimento do planeta é o que mais se parece com o temido fim do mundo.

Ubuntu tio - Sou o que sou pelo que NÓS SOMOS





 A jornalista e filósofa Lia Diskin, conta um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu. A palavra vem das línguas dos povos Banto Ubuntu e significa: "sou o que sou pelo que NÓS SOMOS !" Uma tentativa de definição mais longa foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu: Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.

Lia Diskin contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo, então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e deixou o cesto debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto e, a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

UBUNTU PRA VOCÊ!




Balada da Caridade

Para mim a chuva no telhado
É cantiga de ninar
Mas o pobre meu irmão
Para ele a chuva fria
Vai entrando em seu barraco
E faz lama pelo chão

Como posso
Ter sono sossegado
Se no dia que passou
Os meus braços eu cruzei?

Como posso ser feliz
Se ao pobre,meu irmão
Eu fechei o coração
Meu amor eu recusei?

Para mim o vento que assovia
É noturna melodia
Mas o pobre, meu irmão
ouve o vento angustiado
Pois o vento, este malvado
Lhe desmancha o barracão.




Abertas as inscrições do 2º Simpósio de Missiologia



Sumak Kawsay, o Bem Viver, a utopia dos povos ancestrais da Abya Yala, revive hoje na resistência e autoafirmação dos povos indígenas, em aliança profética com todas as forças vivas e movimentos sociais do Continente e além.

Mino Cerezo dá forma e empresta asas para a visão da Nova Sociedade, que conjuga céu e terra, natureza e humanidade vegetais, animais e humanos, com um lugar para todos, inclusive para o irmão lobo de são Francisco, para a baleia ameaçada, para o leão e o cordeiro de Isaías, a pomba da paz e o peregrino, missionário.



Emprestamos, nesse 3º Domingo de Advento, o logo da Agenda Latino-americana mundial 2012, para convidar você, discípulo missionário e discípula missionária, para o

2º Simpósio de Missiologia no Brasil

O evento se realizará no Centro Cultural Missionário (CCM), Brasília, de 25 de fevereiro a 1º de março de 2013.
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?
Hoje, João responderia: „Te inscreva logo! O padre Estêvão te espera“: rasquio@ccm.org.br




São Paulo recebe 2ª edição do Festival Games For Change



 
De 12 a 15 de dezembro, o Memorial da América Latina, em São Paulo, recebe a segunda edição do Festival Games for Change América Latina. O evento pretende discutir o impacto dos games em diversas áreas, entre elas, a educação, a economia e a cultura.

Além de debates e palestras, o encontro promove também oficinas, cursos de curtíssima duração, lançamento de games e uma feira de trocas de jogos e brinquedos eletrônicos.

Gilson Schwartz, diretor para América Latina da rede Games for Change, professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP e líder da Cidade do Conhecimento, dirige o evento e participa da mesa de abertura, com o tema “O Futuro dos Games na Educação”.
 
O evento também discute “A economia da convergência entre internet e games”, “Games e Educação Empreendedora”, “Games e Novas Narrativas – Futuro do Audiovisual?” e “Proibido para Maiores – Projetos e Experiências”, sessão dedicada exclusivamente a depoimentos, reflexões e propostas de game designers, ativistas, pesquisadores e estudantes com menos de 18 anos de idade.

Morre o virtuoso músico indiano Ravi Shankar aos 92 anos


 

O músico indiano e virtuose da cítara Ravi Shankar, que exerceu grande influência sobre músicos ocidentais, como os Beatles e o violinista clássico Yehudi Menuhin, faleceu aos 92 anos, depois de passar por uma cirurgia nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro indiano Manmohan Singh manifestou pesar pela morte do artista e saudou a figura de Shankar como "um tesouro nacional e embaixador da cultura indiana no mundo inteiro".

Shankar, que morava na Califórnia, nasceu em uma família de casta elevada na cidade sagrada de Varanasi, norte da Índia, em 7 de abril de 1920.

Ele ensinou o amigo George Harrison, que faleceu em 2001, a tocar cítara e colaborou com o ex-Beatle em vários projetos, incluindo o famoso show para Bangladesh em 1971. Os Beatles chamavam Shankar de "padrinho da música mundial".
Iniciou a carreira muito jovem e realizou turnês pela Europa ao lado do grupo de dança de seu irmão Uday, mas retornou à Índia no fim da década de 30 para estudar a cítara com o prestigioso Allaudin Khan.

Shankar foi apresentado a Yehudi Menuhin no início da década de 50 e fez várias apresentações na Europa e Estados Unidos antes do lançamento de seu primeiro LP, "Three Ragas".

Entre os músicos contemporâneos importantes sobre os quais exerceu influência está o grupo The Byrds: a canção de 1965 "Eight Miles High" tem a marca inconfundível da cativante cítara de Shankar.

O primeiro dos três prêmios Grammy do indiano foi recebido em 1967 pelo disco, em colaboração com Menuhin, "West Meets East".

O segundo veio em 1972, pelo álbum Concerto para Bangladesh, e o terceiro em 2001 por "Full Circle", gravado no Carnegie Hall de Nova York.

Shankar morreu na terça-feira (11.12.2012) no Scripps Memorial Hospital de La Jolla, perto de San Diego, sul da Califórnia, ao lado da família.
 



Líder indiano visitou, anualmente, cerca de 140 países. No início de setembro esteve presente numa meditação coletiva no Parque do Ibirapuera, em prol de uma sociedade livre de stress e violência. O evento teve a também apresentação de uma banda de bahjans (mantras musicados que induzem ao estado meditativo) e instruções de ioga.

Cúpula do clima de Doha/Qatar estende Kyoto até 2020



 
Acordo final saiu com um dia de atraso e após madrugada de negociações; Rússia, Canadá e Japão não aderiram. Pontos polêmicos em discussão como a reparação aos países pobres pelos mais ricos ficaram para depois.

 
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
e F.d.S.P. 9.12.2012, p. A22
 
 
A conferência do clima da ONU, a COP-18, terminou sábado, dia 8 de dezembro, em Doha, no Qatar, aprovando a extensão do Protocolo de Kyoto, que expiraria no fim deste ano, até 2020.

 A prorrogação de oito anos mantém vivo o único pacto já firmado entre as nações do planeta para a redução das emissões de gases-estufa.

Em vigor desde 1997, o protocolo comprometeu as nações desenvolvidas a reduzirem suas emissões em 5,2%, entre 2008 e 2012, em comparação com os níveis de 1990.
 
 
Apesar do resultado, a aprovação de um segundo período para Kyoto é mais um ato simbólico, já que com as deserções de Rússia, Canadá e Japão, os atuais signatários do pacto respondem por apenas 15% das emissões mundiais de gases-estufa.

"Agradeço a todos vocês pela boa vontade e pelo trabalho duro em levar o processo adiante", disse o presidente da conferência, Abdullah bin Hamad Al-Attiyah.

Com um dia de atraso e depois de uma intensa noite de negociações, os 194 países presentes chegaram a um acordo para um segundo período do protocolo de Kyoto, comprometendo União Europeia, Austrália e mais uma dezena de países industrializados a realizar os cortes acordados até 2020.
 

Os países haviam concordado no encontro do ano passado em Durban, na África do Sul, a trabalhar em favor de um novo acordo que comprometesse todos os países do mundo a reduzirem suas emissões, e não apenas os ricos. O novo acordo, prevê-se, deve ser concluído em 2015 e implementado em 2020.

Outros pontos polêmicos da conferência, como a ajuda aos países pobres para enfrentar os efeitos do aquecimento global e a reparação por parte dos países ricos pelos danos já causados, ficaram para depois também.


O anjo parte, a missão permanece e Jesus, o Deus que salva, fica

 

“Penso que seja importante ouvir também a última frase da narração do Evangelho de S. Lucas da Anunciação: “E o anjo a deixou” (Lc 1,38). A grande hora do encontro com o mensageiro de Deus, na qual toda a vida muda, passa; e Maria fica sozinha com a tarefa que verdadeiramente supera toda a capacidade humana. Não há anjos ao seu redor; ela deve prosseguir pelo seu caminho, que passará através de muitas obscuridades, a começar pelo espanto de José perante a sua gravidez até o momento em que se diz de Jesus que está `fora de si´ (Mc 3,21; cf. Jo 10,20), antes, até a noite da Cruz.

Quantas vezes, em tais situações, Maria terá interiormente voltado à hora em que o anjo de Deus lhe falara, terá escutado de novo e meditado a saudação `alegra-te, cheia de graça´, e as palavras de conforto `não temas!´. O anjo parte, a missão permanece e, juntamente com esta, matura a proximidade interior a Deus, o íntimo ver e tocar a sua proximidade.”

Joseph Ratzinger/Bento XVI,
A infância de Jesus, São Paulo: Planeta, 2012, p. 38

A SEGUNDA: A VELA DE BELÉM



 
A primeira vela de Advento foi a vela da Profecia. A segunda vela é a Vela da Preparação para a vinda do Salvador, denominada a Vela de Belém. Muitos pensamentos se acumulam na mente dos cristãos durante esta época cheia de atividades de Advento. É da maior importância que os nossos corações se atenham à admoestação de João Batista, de arrependimento, por causa da presença do Reino de Deus entre nós. José e a Virgem Maria fizeram uma jornada até Belém. Foi uma longa e cansativa jornada. Mas a viagem era necessária em preparação para o grande evento daquele primeiro Natal.

Escreve o evangelista Mateus (2.6), citando as palavras do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo, Israel.

A mensagem da Vela da Preparação, ou a Vela de Belém, nos leva a meditar e render graças a Deus que colocou até mesmo um imperador pagão, César Augusto, a nosso serviço, para que o Salvador nascesse na cidade designada por Deus. E reconheçamos o grande privilégio de pertencermos como membros, ao corpo de Cristo, pela fé. Recebamos em nossos corações o Emanuel, Deus conosco!

Mais de 30% das terras indígenas na Amazônia sofrerão impacto por causa de hidrelétricas, diz procurador


 
 
Mais de 30% das terras indígenas na Amazônia vão sofrer algum tipo de impacto com a construção das hidrelétricas previstas para a região. Na avaliação do procurador Felício Pontes, do Ministério Público Federal (MPF) no Pará, o projeto do governo brasileiro, que prevê a instalação de 153 empreendimentos nos próximos 20 anos, também vai afetar a vida de quase todas as populações tradicionais amazonenses.
“Aprendemos isso da pior maneira possível”, avaliou Pontes, destacando o caso de Tucuruí, no Pará. A construção da usina hidrelétrica no município paraense, em 1984, causou mudanças econômicas e sociais em várias comunidades próximas à barragem. No município de Cametá, por exemplo, pescadores calculam que a produção local passou de 4,7 mil toneladas por ano para 200 toneladas de peixes desde que a usina foi construída.

 
A reportagem é de Carolina Gonçalves e publicada pela Agência Brasil
 – EBC, 07-12-2012.

 

Pontes lembrou que tanto a legislação brasileira quanto a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) determinam que as autoridades consultem as comunidades locais, sempre que existir possibilidade de impactos provocados por decisões do setor privado ou dos governos. Mas, segundo ele, esse processo não tem sido cumprido da forma adequada.

Para Pontes, o governo brasileiro precisa se posicionar sobre as comunidades e os investimentos previstos para infraestrutura. Na avaliação do procurador, o posicionamento virá quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar, no próximo ano, ação que trata da falta de consulta prévia às comunidades tradicionais antes da construção do Complexo de Belo Monte.
 
 
 
“O STF vai definir a posição brasileira”, disse, defendendo a exigência do consentimento das comunidades indígenas e povos tradicionais antes do início das obras.

Os projetos de infraestrutura previstos pelo governo na região da Amazônia dominam os debates do Fórum Amazônia Sustentável, que ocorre em Belém, no Pará. Representantes de organizações ambientais e alguns poucos empresários discutem, desde ontem (5), soluções para impasses entre a infraestrutura necessária identificada pelo setor privado e a o retorno dos investimentos para as comunidades locais.


“Já vivemos vários ciclos diferentes na Amazônia e estamos reproduzindo o antigo olhar da Amazônia como provedora de recursos para o desenvolvimento do país e do mundo e, nem sempre, as necessidades de desenvolvimento da região”, disse Adriana Ramos, coordenadora do evento.

Segundo ela, a proposta do fórum é chegar a um “debate do como fazer”, já que os movimentos reconhecem que o governo não vai recuar dos projetos. “É possível ter na Amazônia a compatibilização de diferentes modelos de desenvolvimento, mas, mesmo a grande estrutura para atendimento de demandas externas pode ser mais ou menos impactante. Infelizmente, ainda estamos fazendo da forma mais impactante”, lamentou.

Adriana Ramos criticou a falta de investimentos prévios em projetos como o de Belo Monte. Para ela, o governo teria que prever o aumento da população e, consequentemente, a pressão por mais serviços públicos, como saneamento e saúde em municípios como Altamira, no Pará.
 

“Além de serem feitas sem essa preocupação existe um esforço dos setores para a desregulação dessas atividades, com mudanças como a do Código Florestal e da regra de licenciamento”, acrescentou, explicando que, agora, órgãos como a Fundação Nacional do Índio e a Fundação Palmares têm 90 dias para responder se determinada obra impacta uma terra indígena. “Se não responder, o processo de licenciamento anda como se não houvesse impacto sobre terra indígena. Esse tipo de mudanças legais sinalizam que não há vontade de encontrar o caminho certo, há vontade de se fazer de qualquer jeito. É desanimador”, lamentou.

O fórum terminou sexta-feira (7) com um documento que vai orientar todos os debates e ações das organizações ambientais a partir do ano que vem, em relação a temas como a regularização fundiária na região, o debate sobre transporte e cidades sustentáveis e repartição e uso sustentável de recursos das florestas.

A sociedade de consumo produziu Natal sem Advento



Ontem, dia 1º de dezembro, assisti num templo budista em São Paulo ordenação e investidura de uma companheira do Cimi. Agora é monja, casada, com marido e filho adulto, e se chama Aida Kakuzen. Recebeu o hábito da Monja Coen Sensei que é missionária e fundadora da comunidade Soto Shu – Zen Budismo com sede no Japão. Fiquei impressionado com a formalidade da cerimônia e a promessa do despojamento cobrada da monja Kakuzen. Quando a missionária Coen lhe cortou o último chumaço de cabelo como num rito de iniciação indígena, só coube silêncio, emoção, simpatia e Namasti: “o Deus do meu coração saúda o Deus no teu coração”!



Ao voltar para casa ou para lugar nenhum, fui obrigado a travessar outro cenário, o mercado natalino, nas ruas e casas de comércio. A sociedade de consumo promete e exige o gozo ininterrupto e desconhece o Advento, proposto como tempo de conversão, purificação e despojamento. O gozo natalino se apropriou além de dezembro, também do mês de novembro inteiro e o Dia mundial da Luta contra a Aids”, nesse mesmo 1º de dezembro, parece um intruso utilizado para sustentar a imagem do politicamente correto.




Em busca do silêncio de Advento, chego ao Parque Ibirapuera. Em vez do silêncio, encontro outro espetáculo. Com sons e cores, o Natal é celebrado com mais de 200 árvores decoradas com um milhão de lâmpadas LED. Em frente ao lago está montada uma árvore de Natal e o público pode conferir também o espetáculo da dança das águas, com 24 jatos de água que alcançam até 15 metros de altura, acompanhados por clássicos de Natal de Andrea Bocelli, John Lennon entre outros. Em seu nono ano, o “Natal Iluminado” espera atingir de 4 a 6 mil pessoas por dia.



Finalmente volto ao Largo São Francisco/SP. Primeiro Domingo de Advento. A Orquestra Sinfônica Jovem e Coro Infanto-Juvenil & Coro de Repertório da Fundação das Artes de São Caetano do Sul apresenta o Magnificat, de Johann Sebastian Bach e Coração Civil, de Milton Nascimento. Finalmente, gratuidade, beleza, Advento Encantado. Primeira luz na coroa de Advento.



Equipe Executiva do Conselho Missionário Nacional (COMINA) se reúne em Brasília

 

Preparar a Assembleia Geral marcada para o mês de março de 2013 e fazer um balanço das atividades realizadas pelos organismos envolvidos na animação missionária, foram assuntos debatidos em mais uma reunião ordinária da Equipe Executiva do COMINA, realizada nesta quinta-feira, 29, em Brasília (DF). “Procuramos reunir todas as forças missionárias para que realmente a Missão seja uma realidade conforme é o desejo de todos.
 

Para uma maior articulação e coordenação discutiu-se a necessidade de se elaborar Diretrizes para a Animação Missionária da Igreja e, a partir disso, revisar o Regulamento do COMINA. Nesse sentido, na próxima Assembleia Geral, serão discutidas linhas de ação que farão parte das futuras Diretrizes.

As 58 proposições entregues ao Papa Bento XVI no encerramento do Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização e transmissão da Fé, realizado em Roma no mês de outubro, foram objeto de análise no início da reunião. Até hoje, essas Proposições só existem em inglês. A reflexão feita pelo padre Paulo Suess, assessor teológico do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), suscitou alguns questionamentos sobre o trabalho de evangelização hoje. A Igreja universal, presente nessas Proposições, parece, grosso modo, contente com sua Igreja. Para América Latina, os conteúdos das Proposições ficaram aquém do Documento de Aparecida.

A situação de violência enfrentada por Povos Indígenas, em especial o ataque da Polícia Federal contra os Munduruku, no Pará, a luta pela posse das terras dos Xavantes no Mato Grosso e dos Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, foram recordadas pela Vice-presidente do CIMI, Emília Altini. “Esses povos e muitos outros, se encontram ameaçados por uma política genocida. O Projeto de Mineração que ganha força na Câmara e no Senado é outra ameaça”, completou. Emília entregou cópias do “Manifesto contra os decretos de Extermínio: Povos Indígenas, aqueles que devem viver” e um DVD com o conteúdo da Assembleia dos 40 Anos do CIMI.

O Setor Pastoral da Mobilidade Humana acaba de publicar o livro “Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo” (Edições CNBB). Na reunião, a obra foi apresentada pela Irmã Rosita Milesi. “O tráfico de pessoas é um crime que tem várias expressões: o trabalho escravo, o comércio de órgãos, a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes e também a adoção, que apesar da beleza, vem sendo utilizada para encobrir o tráfico de crianças”, explicou a religiosa. Padre Sidnei Dornelas, assessor da Comissão para a Missão Continental, indicou outras duas publicações: “Missão Além Fronteiras junto aos emigrantes brasileiros”, livro organizado pela Pastoral dos Brasileiros no Exterior (PBE), e “Paróquia Missionária” de autoria do padre José Carlos Pereira, em parceria com o Centro Cultural Missionário (CCM).

[extraído da postagem de Jaime Carlos Patias, 30/Nov/2012]