
Segundo o Censo 2010, que investigou
pela primeira vez o tema, quase um sexto (16,2%) dos lares habitados por casais
com filhos contam com a presença de filhos de relacionamentos anteriores.
Para a pesquisadora Ana Lúcia
Saboia, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), isso se deve
ao aumento do rompimento de relações conjugais no país.
Quando essas pessoas já têm filhos e
se unem a novos parceiros, dão forma ao que os especialistas chamam de
"famílias reconstituídas".
"É cada vez mais comum que os
casamentos hoje venham com um pacote", diz Ceneide Cerveny, professora de
psicologia da PUC-SP.
Para ela, isso originou a figura dos
"coirmãos" que, diferentemente, dos meios-irmãos, não têm laços
sanguíneos, mas são criados juntos.[...]
A terapeuta familiar Cristiana
Pereira diz que atende cada vez mais famílias nessa situação, que é complexa.
"Mas, com afeto e muita conversa, é possível resolver." [...]
"Juntar os meus, os seus e os
nossos não é fácil", diz a psicanalista e terapeuta familiar Flavia
Stockler. Ela diz que um filho é para sempre. "Depois de ter um filho,
nunca mais há separação total do casal. O que tem que acontecer é uma
reorganização do novo sistema familiar." [...]
[F.d.S.P., Denise Menchen, Pedro
Soares, do Rio, calaborou Olívia Florêncio]
Os dados do IBGE possibilitam a
difusão de uma realidade não totalmente conhecida por pessoas não
especializadas, além de permitir uma reflexão sobre suas implicações.
Este é o caso da taxa de fecundidade
total abaixo do nível de reposição. Uma população com a taxa de fecundidade de
2,1 filhos por mulher no período reprodutivo (15 e 49 anos) terá crescimento
populacional nulo, caso esta persista por longo período.
O Brasil já completou a fase final
da transição demográfica, com a fecundidade caindo de cerca de 6 filhos por
mulher nos anos 1960 para níveis abaixo da reposição em 2010, com 1,9 filho.
Há várias explicações. Os fatores
clássicos são: aumento na escolaridade feminina, maior participação delas na
força de trabalho, aumento na escolaridade dos filhos, queda da mortalidade
infantil e maior urbanização.

Exercícios com os dados dos Censos
de 2000 e 2010 revelam que quase metade da queda na fecundidade se deveu ao
aumento na escolaridade das mães, enquanto a outra metade se deveu a mudanças
de comportamento das mulheres.
[da matéria de EDUARDO L.G.
RIOS-NETO, professor no Departamento de Demografia da UFMG, na F.d.S.P.,
18.10.2013]
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