Veja molhou as mãos no caso Cachoeira
Por
que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos
Cachoeira e a revista Veja? O que a induz ao silêncio? [...] O Brasil não é o
Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas
as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da
senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único. Na hora em
que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da
casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. [...]
A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como
a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a
omitir, a mentir.
Neste
enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca
murdoquiana. Não que os demais não mandem às favas os princípios mais
elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem
a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e
autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril,
inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada
à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de
situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes
nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da
existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado,
quem sabe.

[Trechos da matéria de Mino Carta, na CartaCapital – 5.5.2012]
Reportagem da Record desmascara a
Revista Veja
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