
A
entrevista é de Carlos André Moreira e publicada pelo jornal Zero Hora,
25-03-2013.
Eis
a entrevista.
O
que o senhor pode adiantar de sua conferência?
O
tema vai girar sobre os motivos para ler Marx hoje, e que tipo de coisas
podemos aprender com ele e o que não podemos aprender com ele, dado que tem
havido muitos mal-entendidos a respeito disso. Vou falar também sobre sua
significação política e também o quão útil ele pode ser para a compreensão do
contexto das atuais dificuldades enfrentadas pela economia global.
E
por que ler Marx hoje?

Com
a crise de 2008, muitos se apressaram em declarar o fim do capitalismo
financeiro. O senhor, entretanto, alertou recentemente que as grandes fortunas
especulativas só aumentaram. Por que isso aconteceu?
Porque
muitos integrantes da elite financeira têm uma influência real e direta sobre a
mídia e sobre conexões políticas e usaram a crise para melhorar sua situação.
Alguns deles se deram mal, alguns foram para a cadeia, é verdade, mas a longo
prazo, essa fatia de 0,1% da população que compõe a fatia mais rica ficou ainda
mais rica do que há cinco anos, quando a crise estourou.
A
crise financeira levou pessoas às ruas para manifestações contra a falta de
regulamentação do capital. Que oportunidades se abriram para propostas
alternativas ao modelo vigente?
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Slavoj
Zizek, que veio a Porto Alegre no início deste mês, comentou que as
manifestações não geraram proposta concreta alguma, e que faltava aos
manifestantes uma ideia do que queriam de fato. O senhor concorda?
Sim.
A maior parte das manifestações tinha caráter de pura oposição, e não foram
construtivas a respeito de alternativas. Meu trabalho tem sido no intuito de
mudar isso, de tentar criar uma visão alternativa, com a qual as pessoas possam
se identificar e pela qual possam se mobilizar. Penso que foi o que Marx e
Engels fizeram quando escreveram o Manifesto Comunista, e deveríamos estar
fazendo algo parecido agora. Claro que as condições hoje são diferentes, não
podemos repetir o Manifesto..., temos que lidar com a situação de crise global,
com as interações que estão ocorrendo com as novas tecnologias e, é claro, com
a natureza financeira do capitalismo atual. Temos um cenário diferente hoje do
de há 150 anos, mas temos a obrigação de articular o que poderia ser uma
alternativa anticapitalista.
Zizek
também comentou que, passados cinco anos, a maior consequência da crise foi a
perda, pela Europa, do papel de modelo. Na sua opinião, a crise é apenas
europeia?
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