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Essa explosão macabra dos números
corresponde à ofensiva lançada, no final de 2006, pelo presidente Felipe
Calderón contra os cartéis do narcotráfico. A estratégia frontal do governo
parece ter levado a um contágio da violência dentro da sociedade. Após décadas
de queda no número de assassinatos, o índice de homicídios disparou nos últimos
anos: 24 para 100 mil habitantes em 2011, contra 8 em 2007. O México está em
quinto lugar entre os países mais violentos do continente americano, atrás de
Honduras (82,1 homicídios para 100 mil habitantes), El Salvador (66), Guatemala
(41,4) e Colômbia (33,4).
À elevação dos números se soma a
extensão geográfica da violência. Com um índice de homicídios de 131 para 100
mil habitantes, o Estado de Chihuahua (Norte) é o mais violento, seguido por
Guerrero (Oeste) e Sinaloa (Noroeste). “O fenômeno se explica pela presença
nessas regiões dos narcotraficantes, que brigam entre si e contra o governo
pelo controle das rotas das drogas na direção dos Estados Unidos”, explica
Edgardo Buscaglia, especialista em crime organizado na Universidade de Columbia
e presidente do Instituto Mexicano de Ação Cidadã.
No entanto, os Estados de Jalisco
(Oeste), de Oaxaca (Sudoeste) ou do México (Centro), que não têm uma forte
presença dos cartéis, não estão mais sendo poupados. “Sob pressão da ofensiva
do governo, os cartéis se deslocaram, levando a uma proliferação da violência
em todo o país”, explica Buscaglia.

Ainda que o governo exiba um número
recorde de apreensões e de prisões, o sangue não para de correr, sem que os
cartéis pareçam estar perdendo força. “A luta do governo levou a uma perda de
autoridade do Estado e a uma contaminação da violência dos narcotraficantes
sobre os outros conflitos; familiares, amorosos ou de trabalho, que antes não
terminavam em crimes”, analisa Luís de la Barrera.
Os cartéis se infiltraram nas
administrações públicas, principalmente na polícia. “Essa situação difunde uma
cultura da violência e da impunidade dentro da sociedade, é uma epidemia
social”, explica Buscaglia. Somente 1% dos 12 milhões de crimes cometidos a
cada ano é julgado, segundo a Comissão Nacional dos Direitos Humanos. E o
tráfico de armas agrava a situação: 142 mil armas foram apreendidas em cinco
anos e meio, sendo 80% delas provenientes dos Estados Unidos, onde sua venda é livre.
Mas, para Ernesto López Portillo,
diretor do Instituto para a Segurança e a Democracia, “o fenômeno está
arraigado em uma decomposição do tecido social, ligada sobretudo ao aumento da
pobreza”. Entre 2008 e 2010, 3,2 milhões de mexicanos passaram para a classe
dos mais pobres, elevando seu número de 52 milhões para 114 milhões de
mexicanos, segundo o Conselho Nacional para a Avaliação das Políticas de
Desenvolvimento Social. Sem contar as deficiências no ensino nacional, com 7,3
milhões de menores de idade analfabetos que não terminaram a escola primária.
Pior, o México possui 7,8 milhões de “nem-nem”, os jovens de 15 a 29 anos que
nem estudam, nem trabalham.
“A falta de oportunidades e a perda
de confiança da população nas instituições constituem um cenário propício ao
aumento da violência”, garante López Portillo. Ele explica que somente 10% dos
crimes são denunciados à polícia. Recrutas fáceis para o crime organizado, os
jovens são as principais vítimas dos traficantes, a ponto de o homicídio ter se
tornado a maior causa de mortalidade dos mexicanos com menos de 30 anos.
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