Paulo Suess

A repercussão
pública entre Madre Teresa e Abbé Pierre pode ter sido semelhante. E, de fato,
há algumas semelhanças na vida de ambos: saída da Ordem religiosa na qual professaram
seus primeiros votos, porque essa permanência se tornaria um obstáculo para a
radicalidade evangélica que se propuseram; dedicação heroica aos últimos da
sociedade, mormente ao povo da rua; fundação de um grupo de seguidores e
seguidoras. Mas, olhando de perto, há diferenças significativas entre Pierre e
Teresa.


Já em 1949,
ainda deputado, Abbé Pierre vivia numa casa simples onde começou a caminhada de
Emaús através de um encontro crucial e uma inspiração genial na sua vida. O
próprio Abbé Pierre nos conta desse começo (cf. Mémoire d´um croyant, cap. 2). Foi o encontro com o jovem George
Legay num momento em que este, por causa da total desestruturação de sua vida, tinha
tudo preparado para suicidar-se. O Abbé escutou George, atentamente, e disse: “George, eu não
posso fazer nada por ti. Tenho dívidas e meu salário de deputado está comprometido
com a construção de casas para mães que vivem na rua. Antes de se matar, você
poderia dar uma mão na construção dessas casas para liberá-las mais rápidamente. O rosto de George mudou e ele disse sim. Ele veio e esse trabalho deu
sentido à sua vida”.
Assim começou o movimento dos “Companheiros de Emaús”, hoje presente em quatro Continentes e mais de 40 países. As Comunidades de Emaús vivem exclusivamente do trabalho e da solidariedade em benefício dos mais pobres e lutando contra as causas da miséria. Por opção, não aceitam subsídios do Estado ou das Prefeituras, com exceção para os idosos e os doentes. Quem contribui muito com a comunidade não dispõe de mais do que aquele, que não consegue contribuir. Partilha e auto sustento são chaves das comunidades de Emaús. A Comunidade recolhe coisas velhas, usadas e não necessárias nas casas de pessoas, faz triagem das mesmas, as restaura e vende em Lojas de Solidariedade e Feiras.
Assim começou o movimento dos “Companheiros de Emaús”, hoje presente em quatro Continentes e mais de 40 países. As Comunidades de Emaús vivem exclusivamente do trabalho e da solidariedade em benefício dos mais pobres e lutando contra as causas da miséria. Por opção, não aceitam subsídios do Estado ou das Prefeituras, com exceção para os idosos e os doentes. Quem contribui muito com a comunidade não dispõe de mais do que aquele, que não consegue contribuir. Partilha e auto sustento são chaves das comunidades de Emaús. A Comunidade recolhe coisas velhas, usadas e não necessárias nas casas de pessoas, faz triagem das mesmas, as restaura e vende em Lojas de Solidariedade e Feiras.

Em 1963, Abbé Pierre estava a bordo de um navio que naufragou entre Argentina e Uruguai: 80 mortos. Mais tarde ele escreve sobre o acontecimento: “Depois de um primeiro susto, em que a gente pensa em suas faltas e pede perdão, eu tive só um pensamento: Que ele vem! Para mim, a morte é o encontro atrasado com um amigo. Eu gosto de repetir esta palavra-chave da Bíblia: Maranata, o que significa: Vem Senhor Jesus, vem!”. As horas de vida e a hora da morte de Abbé Pierre sempre eram horas do encontro com este Jesus que ele, heroicamente, amou. Seguiu João Crisóstomo, lembrado no Documento de Aparecida (n.354): “Querem em verdade honrar o corpo de Cristo? Não consintam que esteja nu. Não o honrem no templo com mantos de seda enquanto fora o deixam passar frio e nudez”.
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