
A reportagem é da Katholische Presse Agentur, 12-08-2012. A
tradução é de Moisés Sbardelotto.
Nas atuais discussões sobre as reformas eclesiais, a Igreja
faria bem em olhar atentamente para dentro da sua própria história e em
considerar e refletir sobre os "modelos alternativos na realização do
catolicismo", hoje muitas vezes esquecidos. Foi o que salientou, no dia 12
de agosto, Hubert Wolf, professor de História da Igreja da Universidade de
Münster, na Alemanha, em uma conferência em Salzburg.
Na sua opinião, pode-se citar muitos exemplos referentes à
estrutura hierárquica da Igreja, o modo de entender a missão e a ordenação de
mulheres. Em última análise, não houve, "ao longo dos séculos, um
desenvolvimento linear e isento de contradições", afirmou o historiador da
Igreja.
A conferência de Wolf representava, dentre outras coisas, o
momento conclusivo das Salzburger Hochschulwochen deste ano, que ocorreram
entre os dias 6 e 12 de agosto, sob o lema "Assumir a
responsabilidade".
Do ponto de vista da história da Igreja, segundo Wolf, o
Concílio Vaticano I (1870), centrado sobre o papa e a sua infalibilidade, já se
distanciava do Concílio de Constança, de 1415, que conhecia, ao contrário, uma
"eclesiologia colegial". À possibilidade de ordenação das mulheres
não admitida pela doutrina oficial, Wolf opõe a práxis da ordenação das
abadessas. Historicamente, não teria se tratado nessas ocasiões apenas de uma
"simples bênção, isto é, de uma bênção para a posse", mas, na
realidade, de uma ordenação com a atribuição de uma "jurisdição espiritual
quase episcopal", que era difundida até o século XIX.
Também o atual debate sobre a elaboração e o futuro da
missão presbiteral, um olhar histórico poderia rachar a rigidez das
frentes existentes: Wolf se referiu, por exemplo, à Igreja católica
irlandês-escocesa, na qual, no início da Idade Média, monges e monjas
administravam sacramentos como a confissão, sem que isso comprometesse a
unidade com Roma.
A autorização à administração dos sacramentos não dependia
então do recebimento formal da ordem do ministro, mas sim da "qualidade da
sequela Christi do monge ou da monja", afirmou Wolf.
A Igreja na história em contínua mudança

Esse "processo de transmissão não se detém nunca,
porque Deus, em Jesus Cristo, imergiu completamente na história". Portanto,
a Igreja deve ser considerada como "parte da história" e, assim,
também, "passará como a própria história".
O melhor exemplo disso é o Concílio Vaticano II (1962-1965)
e a disputa que surgiu recentemente sobre a interpretação do Concílio como
ruptura ou como continuidade na tradição da doutrina da Igreja. Nessa disputa,
Wolf defende vigorosamente, visto a partir da perspectiva histórica, "o
modelo da descontinuidade": em sua opinião, não há nenhuma dúvida de que a
Igreja, no que diz respeito ao seu comportamento com relação ao judaísmo, aos
direitos humanos, assim como com a liberdade religiosa e de consciência,
realizou, com o Concílio Vaticano II, uma "reviravolta".
Wolf diz: "Liberdade de consciência: de um lado, erro
pestilento, de outro, consequência da liberdade proclamada pelo Evangelho.
Liberdade religiosa: de um lado, maldita em bloco, de outro, contida obviamente
na dignidade humana garantida por Deus, que a Igreja Católica deve anunciar.
Quem fala aqui de continuidade não tomou conhecimento dos textos. A doutrina da
Igreja aqui não só se desenvolveu, mas também até se transformou no seu
oposto".
A continuidade do ensino é uma ficção

Em geral, a conferência de Wolf foi uma defesa veemente da
redescoberta da função crítica da historiografia eclesial no contexto
teológico. Trata-se de fazer com que essa matéria saia da sombra e da proteção
parcial por parte da teologia dogmática e fundamental, porque é justamente a
história da Igreja como disciplina que cobre, "para a teologia e para a
missão, toda a mesa da tradição, para que, por ocasião das escolhas atuais, ela
seja, finalmente, ao lado da sistemática, o 'segundo olho' da teologia. Sem
história da Igreja, falta ao olhar teológico a profundidade necessária",
disse Wolf.
Não seria possível conseguir o texto integral dessa palestra? Se possível: jpaulo.italia@hotmail.com
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