Aos 98 anos, faleceu em Madras, no
dia 30 de maio, o jesuíta de origens francesas, um dos missionários mais
conhecidos, Pierre Ceyrac. Ele dedicara toda a sua vida a uma escolha radical
pelos últimos, entre os dalits na Índia e os refugiados do Sudeste Asiático.
[A reportagem é de Francesco
Pistocchini, publicada na revista Popoli, dos
jesuítas italianos, 31-05-2012. A
tradução é de Moisés Sbardelotto, da Unisinos.]
"Acho que a única coisa que eu
ainda sei fazer – confidencia ao seu superior – é amar". Um amor que
acompanhou 70 anos de missão. Tendo chegado pela primeira vez em 1937 à Índia
colonial, o jovem jesuíta francês começou a tornar sua uma cultura nova. Essa
"imersão total" serviu para assumir os valores e as misérias da Índia
para "renascer".
No encontro com o mundo indiano,
Ceyrac teve antigos mestres, como Roberto de Nobili, um jesuíta que conversava
em sânscrito com os brahmins de Madurai, ou modelos contemporâneos como Jules
Monchanin, mestre do diálogo com o hinduísmo. Ceyrac estuda os textos sagrados
hindus, o sânscrito e uma língua complexa como o tamil. Ele vive em primeira
pessoa a inculturação, quando essa palavra ainda não fez estrada.

Surpreende a quantidade de
realizações: a rede estudantil, que chega a reunir 100 mil membros, os projetos
agrícolas para saciar dezenas de milhares de agricultores pobres. A atenção de
Ceyrac não tem limites: "É preciso entrar em uma favela assim como se
entra em um mosteiro, porque Deus está lá", escreve.
O seu amor pela Índia o levou a
reagir sempre contra as discriminações de casta. Para os dalits, ele defende a
criação da Daca, uma escola que oferece formação profissional àqueles que estão
presos em um status social inferior. Ainda nos anos 1990, ele estava
comprometido em realizar um centro para os doentes de poliomielite, único no
sul da Índia, além do movimento Ambukarangal (Mãos Abertas), que permite que
mais de 30 mil crianças e jovens de rua e trabalhadores possam estudar.

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