de Camilla Costa
Da BBC Brasil em São Paulo
Na ocupação Copa do Povo, que fica a cerca de 3,5 km da
Arena Corinthians, na zona leste de São Paulo, teve Copa do Mundo, mas não com
a seleção brasileira.

Muitos vestiam a camisa da seleção brasileira, mas a
possibilidade de assistir à partida contra Croácia no fim da tarde dividia
opiniões.

Loamir estava completamente vestido com as cores da seleção
brasileira porque estava vendendo os produtos para os possíveis torcedores. Mas
não teve muita sorte na ocupação. "Só vendi alguma coisa fora daqui e só
hoje, porque é o dia da Copa. Antes não vendi nada."
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Sorrisos amargos |
A história de Loamir ilustra o clima na ocupação do
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que começou há um mês.
Antes do início dos jogos, os moradores fizeram uma
cerimônia de abertura com críticas à Fifa e ao que chamaram de Copa
"elitizada". Álbuns da Copa foram queimados durante à cerimônia, mas
as crianças da ocupação rapidamente se juntaram para recolher as figurinhas
restantes. Muitos vestiam camisas da seleção ou até uniformes completos.
Depois do torneio - cujos jogos acontecerão no mesmo dia dos
jogos da seleção - diversas pessoas deixaram a ocupação para assistir o jogo
nas casas de amigos e familiares. Os que ficavam se mostravam divididos entre
torcer e "dar ibope" para a Fifa.
Discussão

Rocha foi o principal organizador do torneio de futebol da
Copa do Povo, mas depois que deixou a ocupação, os coordenadores presentes
discutiram sobre se deixariam que os moradores assistissem à partida na única
TV disponível no local, que fica dentro do "barracão dos militantes".
A decisão final, com a qual nem todos os líderes ficaram
satisfeitos, foi a de não permitir a torcida. A televisão permaneceu ligada,
mas em um canal que não exibia o jogo. Donos de casas vizinhas à ocupação,
viraram seus televisores para a rua, mas a adesão foi baixa: a maioria dos que
ficou na ocupação fez questão de não assistir à vitória da seleção sobre a
Croácia por 3 a 1.

Moradores se dividem entre críticas à Fifa e ao governo e
torcida pela seleção.
Em um bar próximo ao local, Valter de Oliveira Ponte, de 35
anos, e outros moradores acompanhavam a primeira partida do Mundial, também
divididos entre a animação e as críticas ao governo.
"Como a Dilma nos ajudou a conseguir o terreno, vim
prestigiar a seleção. Agora ela vai ter que honrar a palavra dela",
afirmou à BBC Brasil. "Mas não estou alegre, nem triste, o certo é quando
eu tiver meu teto. Eu não ganho nada com esse jogo."


Segundo o MTST, que coordena a construção dos barracos, o
local – cujo valor de mercado é estimado em mais de R$ 20 milhões – está
abandonado há mais de 20 anos.
Protestos, vaias e violência
Também no dia da abertura da Copa do Mundo em São Paulo teve
protestos que terminaram em confrontos entre a Tropa de Choque e manifestantes.
Os tumultos terminaram com jornalistas feridos e suspeitos detidos.
Como não estou a par das negociações entre o MTST e as instâncias governamentais, sobre o justificável pleito das famílias que reivindicam moradia digna e as providências a serem implementadas, conforme publicações na imprensa - considero não dispor de elementos suficientes para comentar o artigo acima, sem incorrer no risco de emitir opiniões infundadas.
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