Por Jaime C. Patias


Recorrendo textos bíblicos, Nancy procurou demonstrar
como ler a Bíblia na missão. “É uma leitura de espiritualidade e produção de
projetos”, disse. [...] Nos estudos, “não dá para começar da Bíblia em si ou
da história da Igreja, mas da realidade que pisamos na missão”, alertou a
biblista que é agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e há anos circula em
acampamentos de Sem Terras.
Em sua opinião, os comentários oficiais alemães
“escondem os pés, pois agindo com imparcialidade não dizem de onde partem. A
universalidade não pode o ser ponto de partida, mas sim o chão da comunidade
onde vivemos, as perguntas dos camponeses, o movimento das mulheres, os
oprimidos que também pensam e fazem teologia”, finalizou.
Pastora Nancy atua também, no Programa de
Acompanhamento Ecumênico na Palestina e em Israel (EAPPI) que leva pessoas do
mundo todo à Cisjordânia para experimentar a vida sob a ocupação. Os
acompanhantes ecumênicos fornecem proteção para as comunidades vulneráveis,
monitoram abusos dos direitos humanos e incentivam palestinos e israelenses a
trabalharem juntos pela paz.
A esperança profética

O profeta não está sozinho, mas é uma expressão da
comunidade profética. Isaias quer convidar para olhar um determinado grupo de
pessoas identificado pela seguinte versículo: “Os infelizes que buscam água e
não a encontram e cuja língua está ressequida pela sede, eu, o Senhor, os
atenderei, eu, o Deus de Israel, não os abandonarei” (Is 41,17). Para irmã Tea,
o profeta quer que coloquemos nosso olhar sobre esse grupo de pessoas no mundo
atual. “Pessoas que tropeçam e caem pela fadiga, a serviço dos tiranos e
desprezado, despojados, saqueados” (Is 52, 3).
Para entender a mensagem de Isaías precisamos partir da
realidade dos oprimidos que têm um sonho utópico. O profeta não tem uma
proposta missionária, universal, mas tem uma esperança a oferecer para estas
pessoas.
Irmã Tea recordou ainda que, “no tempo bíblico de
Segundo Isaias, o Império babilônico investia na militarização e na construção
de templos e palácios em detrimento das necessidades dos pobres. Enquanto hoje,
os maiores investimentos vão para a contração de estádios, grandes obras, para
a defesa e palácios, o povo mais pobre fica sem hospitais, escolas e moradia”.
Para reconstruir a identidade é preciso acordar da apatia, ter a capacidade de sonhar e resgatar a memória histórica. “É isso que o profeta está tentando fazer. No texto ele destaca cinco ações de Javé em favor de Israel-Jacó: “eu te escolhi, te agarrei com força, te chamei, não te rejeitei, te ajudei, por isso sê forte e não temas”. (Is 41, 9 ss).
A partir disso, o profeta começa a reconstruir a
identidade do povo. Ao longo da história, Deus assume os rostos das
necessidades que as pessoas têm. “Aos filhos ilegítimos ele diz: eu sou Pai;
aos escravos, ele diz: eu te resgato; a quem faz uma experiência de rejeição,
ele diz: eu sou como uma mãe que te acolhe; ao sedento ele diz: eu sou a
chuva... Falamos de Deus através de nossas experiências”, recordou. Com isso,
“somos convidados a escutar essas vozes que também fazem teologia e têm um
jeito próprio de falar de Deus. Aqui nasce a missão”.
A programação do Simpósio se estende até sexta-feira,
28, e conta com a participação de renomados teólogos e biblistas, tais como,
Frei Carlos Mesters, Francisco Orofino, Paulo Suess, Estêvão Raschietti, Carlos
Intipampa, pastor metodista boliviano.
O 1º Simpósio de Missiologia aconteceu em 1999, em de São Paulo. Já a 2ª edição foi realizada no CCM, em Brasília, em 2013.
25 / Fev / 2014
Edificante constatar como a sensibilidade feminina agrega à reflexão bíblica um sentido peculiar, fazendo emergir o rosto materno de Deus Pai que nos ama com coração de mãe.
ResponderExcluirE a riqueza da partilha nessa convivência ecumênica suscita esperança de aprofundamento fraternal dos laços que nos unem, os cristãos de boa vontade, das diversas denominações.
Parabéns aos realizadores desse importante Simpósio de Missiologia!
Quem sabe, nos próximos, ofereçam mais vagas para acolher inscrições de interessados.