Numa entrevista de julho de 1975, Eliane Cantanhede afirmou:
“Nada tem sido mais dramático para a sobrevivência das tribos indígenas
brasileiras que a construção de estradas em seus territórios. Pela estrada vem
o branco, o vírus das doenças, os germes da mendicância, da violência, da
prostituição” (Veja 16/07/1975).
As recentes violências em Humaitá, AM, tocam numa das
feridas das veias e vias abertas na Ditadura Militar no Brasil. Ao ordenarem,
em sua estratégia geopolítica e econômica, que se rasgasse a densa floresta
amazônica em todas as direções, não apenas se estava abrindo estradas de
invasão, mas caminhos de genocídios de
inúmeros povos e comunidades indígenas que estavam sob os traçados das
estradas. E foi nesta política que o território Tenharim foi rasgado pela
Transamazônica, BR-230, na década de 1970.



Essa é a hora da verdade. A Comissão Nacional da Verdade,
juntamente com a Comissão Indígena da Verdade e Justiça deverão, com urgência,
fazer um detalhado documentário sobre as graves consequências da violência e
mortes acarretadas a esse povo pela estrada. Registrar o genocídio que
acarretou a construção da Transamazônica, o que ela significou para dezenas de
povos, dentre eles os Tenharim. É o momento do povo brasileiro conhecer melhor
a verdadeira história dos massacres e não ser mais uma vez jogada contra os
índios, estimulando o ódio e o
preconceito.

O que a violência de Humaitá revela
A violência que significa uma estrada que passa por um
território indígena. Os Tenharim sentiram o golpe que significou a
transamazônica atravessando seu território, abrindo-o para a invasão de
interesses econômicos, principalmente madeireiras e mineradoras. São mais de
três décadas de permanentes agressões aos índios e ao seu território.
Margarida Tenharim denunciou à Comissão Nacional da Verdade
as centenas de indígenas mortos por ocasião e em consequência da estrada. Eu
vi, diz ela, as mortes de adultos, jovens e crianças... foram muitos. Passaram
por cima de nossos cemitérios... Estão querendo guerrear de novo, mas nós vamos
lutar pelos nossos direitos. Outra liderança fala da dependência que veio a
partir da estrada e mostrar o preconceito e animosidade que persiste: “Ainda
hoje tratam nós como bicho”.
A questão Tenharim é uma questão de lesa humanidade que deve merecer providências do Ministério Público Federal, da Comissão Nacional da Verdade e da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. É uma questão de justiça.
[Fonte: Egydio Schwade e Egon Heck]
Venho acompanhando há tempos a luta dos povos indígenas pela defesa de suas terras e de sua cultura, luta desproporcional, que não encontra respaldo e ampla garantia de direitos, por parte dos poderes instituidos - haja vista a atuação da bancada ruralista, querendo retirar dos brasileiros originalmente donos das terras, as poucas conquistas que obtiveram às custas de muita dor e sofrimento.
ResponderExcluirE a mídia não se posiciona, majoritariamente, de maneira adequada, a defender os injustiçados - muitas vezes, se colocando ao lado dos interesses ruralistas, pois o poder financeiro corrompe muitas consciências, essa é a verdade! O povo precisa tomar conhecimento da espoliação histórica que vitimaram diversos povos indígenas e em pleno século XXI, é inadmissível que seus direitos não sejam plenamente respeitados!!!