Jaime C. Patias
O 13º Intereclesial das CEBs que acontece desde o dia 7, em Juazeiro do Norte (CE), reúne pessoas de todas as idades, algumas com longos anos de caminhada, outras apenas começando. São mais de 5 mil participantes, entre delegados, convidados e colaboradores. Todos querem contribuir nas reflexões, preocupados com o futuro das CEBs dentro da Igreja.
Sobre a realização do Intereclesial na terra do padre Cícero, frei Betto diz que a sua figura significa “sinal de uma Igreja de profunda espiritualidade popular. A Igreja está num processo de resgate do padre Cícero. Isso é muito importante em um encontro que reúne o maior número de participantes da história dos Intereclesiais”, conclui.
O assessor das pastorais sociais do Regional Noroeste da CNBB, padre Luiz Ceppi, avalia que após a 12ª edição do Intereclesial realizada em Porto Velho em 2009, as CEBs conseguiram uma plena comunhão com a Igreja. Até um documento oficial da Igreja sobre as CEBs saiu. Este é um dos resultados.
A CNBB propôs um estudo sobre “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, mas segundo padre Cheppi, “no começo também trataram tudo como comunidade, inclusive os carismas. Carisma é um jeito de viver na comunidade, mas não é a comunidade”, opina. “O papa Francisco não se apaga às estruturas, mas à mensagem do Evangelho e por isso ele está desarrumando todas as estruturas”. Padre Cheppi recorda que recentemente, por ocasião dos 25 anos da morte de Chico Mendes houve um encontro com o papa e percebe-se que ele não foge do problema. “Há dois anos perdemos o cardeal Martini. Ele disse que nós, às vezes, fazemos análises perfeitas da realidade social e eclesial, mas depois temos medo de mudar e continuamos como antes. A partir disso, as CEBs têm que resgatar sua identidade, sobretudo na realidade urbana onde vive a maioria da população hoje”, considera.
Irmã Anette Dumoulin, religiosa belga que se dedica a acolher os romeiros em Juazeiro do Norte, defende uma nova formação dos seminaristas e padres. Segundo ela, “se o padre não aceita partilhar como pastor no meio do seu povo, as CEBs vão continuar sofrendo muito. Nós precisamos transformar a formação dos seminaristas para ter novos tipos de padres, que saibam lavar os pés de suas ovelhas como Jesus fez. Se os seminários continuam a formar padres que são chefes, donos, nós não vamos conseguir que as CEBs vivam a realidade do novo céu e de uma nova terra”, argumenta. “O padre tem que escutar mais o povo. O Espírito Santo fala pelos pobres. Jesus falou isso: ‘Eu te agradeço Pai, por que revelastes essas coisas aos pequenos e escondestes aos ricos e poderosos’. Então nós religiosas, padres, bispos, papa temos que nos converter sempre para ouvir o que Espírito Santo fala aos pequenos e pobres”, afirma Irmã Anette.
Gostei muito dessa reportagem. Seria interessante saber mais sobre o 13º Intereclesial, através de depoimentos das pessoas que estiveram presentes no grandioso evento. Não canso de ler as postagens, em diversos veículos, sobre o abençoado Encontro, que deve ter produzido muitos frutos, especialmente para os que puderam participar.
ResponderExcluirFiquei feliz pela partilha de tantos irmãos e irmas de caminhada Os desafios são grandes , mas a esperança é maior ainda. As Cebs estão vivas!
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