Processo e preço da
sinodalidade
Um primeiro olhar sobre a “Exortação Apostólica
Pós-Sinodal do Papa Francisco”

Na sinodalidade,
com seus dois braços da colegialidade dos bispos e da participação das Igrejas
locais, o papa reinterpreta seu primado entre iguais e abre mão da
centralização e da solidão decisória do poder eclesiástico.
A subsidiariedade
reconhece o sopro do Espírito Santo nas Igrejas locais. O Papa Francisco procura
delegar a solução de muitas “discussões doutrinais, morais ou pastorais” (AL
3), sem prejuízo à unidade da Igreja, aos lugares onde surgiram, sem
intervenções tutelares permanentes do magistério. Atrás da subsidiariedade está
o sonho de uma Igreja local adulta que caminha na unidade do Espírito Santo,
portanto, de uma Igreja articulada no plural de suas culturas e dons.
No discernimento
– discernimento/discernir aparecem 40 vezes no texto -, como terceiro eixo,
se expressa a vontade da mediação e harmonização das tensões entre normas
gerais que pretendem garantir a unidade, e vivências contextuais e práticas não
só na diversidade dos cinco continentes, mas também numa ética situacional que
tem um olhar para as particularidades e a concretude de cada situação.
Com esse triângulo entre sinodalidade,
subsidiariedade e discernimento, com sua preferência para uma teologia
indutiva, o papa retoma com novo vigor inspirações fundamentais do Vaticano II,
que nesses 50 anos pós-conciliares apenas tibiamente foram assumidas. É claro
que a partilha do poder, a diversificação da monocultura eclesiástica e a flexibilização
de uma normatividade rígida com padrões éticos e rituais que não levam em conta
a idiossincrasia das regiões e das pessoas, tem seu preço para manter
equilíbrios internos. Aqui e acolá, o leitor da Amoris laetitia sente que, em nome da unidade do caminhar juntos, o
Papa Francisco foi obrigado a sacrificar sua própria radicalidade evangélica.

[Esse
texto é a introdução a um texto mais amplo que seguirá posteriormente]
Paulo Suess
A "Introdução" já se apresenta como uma preciosidade, graças à agudeza de espírito, admirável sutileza de análise do renomado professor e Teólogo que tem a generosidade de partilhar conosco, seus alunos e ouvintes, as reflexões apuradas e argumentação minuciosa, sobre o Documento do Papa Francisco.
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