energia jovem contra a construção da hidrelétrica Belo Monte - envelhecida antes de nascer
O PROJETO Belo Monte é um exemplo cabal de ineficiência energética (produzirá, em média, apenas 39% da eletricidade que promete), é absurdamente caro (cerca de R$ 30 bilhões, dos quais 80% são dinheiro do povo, a ser desembolsado pelo BNDES), e foi imposto pelo governo através de um processo brutal de sucessivas violações da legislação e da Constituição nacionais, e de acordos e tratados internacionais.
Acima de tudo, porém, o projeto de Belo Monte vai arrebentar com a vida dos povos, da fauna e da flora do Xingu, destruindo e secando parte de um dos mais belos e ricos rios do mundo, e transformando a região em terra arrasada. Não é à toa que Altamira foi campeã de desmatamento nesse primeiro semestre.
As máquinas já estão escavando o solo nas cercanias das barrancas do Xingu, mas não é tarde para silenciar seus motores! Unido, o povo brasileiro dirá ao governo o que pensa de Belo Monte!
O PROTESTO dos paulistanos contra Belo Monte reuniu aproximadamente 500 pessoas na Av. Paulista, em frente ao MASP. A partir das 16h o grupo, mormente jovens, se dirigiu para a sede do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Alameda Tietê.
Os movimentos Brasil pela Vida nas Florestas e Xingu Vivo para Sempre e a Frente Pró-Xingu declararam este sábado - Dia Internacional da Ação em Defesa da Amazônia - um dia de protesto contra a construção da Usina de Belo Monte com manifestações em 15 cidades brasileiras. Segundo a representante de Xingu Vivo para Sempre haverá manifestações também na próxima segunda-feira, 22, em cerca de 20 cidades em 16 países - entre eles, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Noruega, Taiwan, Turquia, México e Austrália. Os protestos serão em frente às embaixadas e consulados brasileiros.
Dilma muda limite de unidades de conservação para abrigar hidrelétricas
Três parques nacionais na Amazônia - do tipo de unidade de conservação (UC) mais protegido no País - tiveram seus limites alterados para abrigar lagos e canteiros de obras das usinas hidrelétricas de Tabajara, Santo Antônio e Jirau, em Rondônia. Medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff e publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União também autoriza a exploração mineral no entorno de dois dos parques.
Área de conservação?
Foram alterados os limites dos Parques Nacionais da Amazônia, Campos Amazônicos e Mapinguari. Duas outras unidades deverão ter os limites alterados em breve para o licenciamento ambiental de quatro hidrelétricas do complexo do Rio Tapajós, que ficarão entre as maiores das novas usinas da Amazônia, ao lado de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
Os empreendimentos localizados nas unidades de conservação já alteradas eram defendidos pelo Ministério de Minas e Energia, até mesmo a mineração de ouro na área de 10 quilômetros no entorno do Parque Nacional Mapinguari, o maior dos três parques a ter o limite alterado, com 17,5 mil quilômetros quadrados, o equivalente a mais de 11 vezes a área da cidade de São Paulo.
Hidrelétrica Santo Antônio (RO)
Outro motivo para a alteração dos limites dos parques foi a regularização fundiária de ocupações de terras públicas até o limite de 1,5 mil hectares, além do conflito com áreas de assentamentos para a reforma agrária na região. A floresta remanescente nessas regiões só poderá ser explorada por meio de planos de manejo previamente autorizados.
O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, diz que a alteração do limite dos parques nacionais não impõe perdas à proteção da floresta. "Essas mudanças refletem bem a perspectiva de negociação que procuramos. Nossa postura não é travar, é negociar. Garantimos a conservação e permitimos que os empreendimentos sigam adiante", afirmou. "Fazemos o jogo do ganha-ganha", insistiu.
A Hidrelétrica de Tabajara, no município de Machadinho do Oeste, em Rondônia, é uma das obras previstas na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sua construção dependia da alteração dos limites do Parque Nacional Campos Amazônicos, criado em 2006. A previsão é que a hidrelétrica produza 350 megawatts (MW).
Lobby. A inclusão da Hidrelétrica de Tabajara no PAC teve forte lobby do presidente interino do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). Para o projeto seguir adiante, faltava tirar do caminho da obra as restrições impostas às unidades de conservação. O Parque Nacional Campos Amazônicos perdeu ao todo, por meio da MP, 340 quilômetros quadrados e ganhou outros 1,5 mil quilômetros quadrados.
No caso do Parque Nacional Mapinguari, o ajuste ocorreu por conta da revisão do alcance do canteiro de obras e dos lagos das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. A perda de 70 quilômetros quadrados teria sido compensada com um acréscimo feito anteriormente em permuta com o Estado de Rondônia. O Parque Nacional da Amazônia perdeu agora 280 quilômetros quadrados, supostamente compensado, com folga, por acréscimo anterior a pouco mais de 1 mil quilômetros quadrados.
Barragem do peixe barragem da vida
PARA LEMBRAR
O Estado revelou anteontem que as Unidades de Conservação (UCs) se tornaram o mais recente objeto de disputa entre ambientalistas e defensores do agronegócio. Na semana passada, durante audiência pública na Câmara, o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), presidente da frente parlamentar da agropecuária, anunciou uma "grande campanha" para impedir que novas UCs sejam criadas sem a prévia autorização do Congresso Nacional. Hoje, a criação é feita por meio de decreto presidencial. Os ruralistas afirmam que a expansão dessas unidades pode comprometer a produção de alimentos no País.
[A reportagem é de Marta Salomon, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-08-2011, divulgada também no site do Instituto Humanitas Unisinos (Notícias Diárias): www.unisinos.br/ihuO primeiro título da mátéria é do blog].
Manifesto de missionários/as e missiólogas/os reunidos em Puerto Vallarta, México
Por ocasião da celebração dos 50 anos do início do Vaticano II, nós missionári@s e missiólog@s, provenientes do México e do Brasil, queremos afirmar como herança do Concílio e compromisso nosso e do magistério latino-americano os seguintes dez pontos centrais:
1. Natureza missionária
A “natureza missionária” da Igreja (Ad Gentes 2, 6, 35; Aparecida/DAp 347), que se fundamenta no batismo de todos os cristãos, é sua razão de ser. Ela atravessa todas as instâncias e atividades eclesiais e as coloca em “estado de missão” (DAp 213).
2. Centralidade da Palavra de Deus
Jesus Cristo, plenitude da revelação (cf. 2Cor 1,20; 3,16-4,6), “ordenou aos Apóstolos que o Evangelho […] fosse por eles pregado a todos os homens” (Dei Verbum 7; cf. Verbum Domini), como fonte da vida. “A Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. […] Agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (Verbum Domini 12). 3. Centralidade do Reino A meta da Igreja e de sua missão é estar a serviço do Reino de Deus (cf. Lumen Gentium/LG 9; DAp 33, 190, 223) como “reino de `verdade e vida, reino de santidade e graça, reino de justiça, amor e paz´” (LG 36). A proclamação do reino, em atos e palavras, é historicamente relevante, muitas vezes, através dos “sinais dos tempos” (Gaudium et Spes/GS 4, 11; Presbyterorum Ordinis 9; Apostolicam Actuositatem 14; DAp 33, 366) que, mediante novas realidades sócio-históricas, representam uma mensagem imperativa às Igrejas.
4. Igreja, Povo de Deus
Reafirmamos com o Concílio Vaticano II a compreensão da Igreja como Povo de Deus (LG 9-17) do qual emanan vocações e setores eclesiais, inclusive as estruturas hierárquicas, de uma Igreja missionária e ministerial. “O apostolado dos leigos é participação na própria missão salvífica da Igreja. A este apostolado todos são destinados pelo próprio Senhor através do batismo e da confirmação” (LG 33). 5. Opção pelos pobres e “outros” Desde Medellín (1968), o magisterio latino-americano deu um passo decisivo, da opção abstrata pelo “homem” à opção concreta pelos pobres e os “outros”, recentemente reafirmado em Aparecida (DAp 397-399): “O encontro com Jesus Cristo através dos pobres é uma dimensão constitutiva de nossa fé […]” (DAp 257).
6. Inculturação e libertação
Lutar pela construção de um mundo para todos, um mundo onde cabem a igualdade fraterna e a diferença de valores culturais, diferentes línguas e cosmovisões, significa assumir no mistério da encarnação de Jesus de Nazaré e de libertação pascal na cruz a causa dos crucificados na história (mártires!), lutando pela redistribuição dos bens e pelo reconhecimento da alteridade (cf. GS 29). “Toda evangelização há de ser, portanto, inculturação do Evangelho. […] A inculturação do Evangelho é um imperativo do seguimento de Jesus e é necessária para restaurar o rosto desfigurado do mundo” (cf. Santo Domingo 113; cf. LG 8; DAp 4, 97, 99b, 258, 325, 491, 479). “O rico magistério social da Igreja nos indica que não podemos conceber uma oferta de vida em Cristo sem um dinamismo de libertação integral, de humanização, de reconciliação e de inserção social” (DAp 359, cf. 26, 146, 399).
7. Salvação universal
“O Salvador quer que todos os homens se salvem” (LG 16; cf. 1Tim 2,4). Segundo o plano de salvação, a vida eterna é para todos. “Os que ainda não receberam o Evangelho se ordenam por diversos modos ao Povo de Deus” (LG 16). “O plano da salvação abrange também aqueles que reconhecem o Criador” (LG 16). De ninguém que procura “o Deus desconhecido em sombras e imagens, Deus está longe” (LG 16a). Todos “que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e Sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a Sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (LG 16). “Deus pode por caminhos d´Ele conhecidos levar à fé os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho” (AG 7a). A real possibilidade da salvação em Cristo sem conhecimento do Evangelho e a necessidade da Igreja (dos sacramentos, da evangelização explícita) para essa salvação não se excluem (cf. Redemptoris Missio 9, Dominus Iesus 20b).
8. Sinais de justiça e imagens de esperança
O seguimento de Jesus, na vida missionária, nos fez aprender a trabalhar com sinais de justiça e imagens de Esperança (luta pela justiça, cura dos enfermos, parábolas do reino). Jesus de Nazaré não mudou a totalidade da realidade social e não prometeu o paraíso na terra, porém fortaleceu nosso desejo de construir um mundo mais humano na terra e esperar confiantes “novos céus e nova terra” (Ap 21 e 22). “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1). “[…] A igual dignidade das pessoas postula que se chegue a uma condição de vida mais humana e mais equitativa” (GS 29). Os sinais de justiça e imagens de esperança têm raízes nesta terra e asas para voar além desta terra.
9. Liberdade religiosa
A liberdade religiosa é um direito da pessoa humana e um pressuposto da missão: “Os homens todos devem ser imunes da coação […], de tal sorte que em asuntos religiosos ninguém seja obrigado a agir contra a própria consciência, nem se impeça de agir de acordo com ela” (Dignitatis Humanae/DH 2a). O direito à liberdade religiosa “continua a existir, ainda para aqueles que não satisfazem a obrigação de procurar a verdade e de a ela aderir” (DH 2b). 10. Diálogo ecumênico, intercultural e interreligioso “A Igreja Católica nada rejeita do que há de verdadeiro e santo nessas religiões. Ela considera com sincera atenção aqueles modos de agir e viver, aqueles preceitos e doutrinas. Se bem que em muitos pontos estejam em desacordo com os que ela mesma tem e anuncia, não raro, contudo, refletem lampejos daquela Verdade que ilumina a todos os homens” (Nostra Aetate 2). Os cristãos, diz a Gaudium et Spes, não são exclusivamente associados ao mistério pascal e à esperança da ressurreição: “Isto vale não somente para os cristãos, mas também para todos os homens de boa vontade em cujos corações a graça opera de modo invisível. [...] Devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de se associarem, de modo conhecido por Deus, a este mistério pascal” (GS 22). “Hoje em muitas partes do mundo, mediante o sopro da graça do Espírito Santo, pela oração, pela palavra e pela ação, se empreendem muitas tentativas daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis” (Unitatis Redintegratio 3), daquela unidade macroecumênica no Espírito Santo.
Essa herança do Concílio, assumida e contextualizada para a América Latina e o Caribe pelo Magistério Latino-Americano, através das Conferências de Medellín (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), foi resgatada e reassumida por nós nesse II Encontro de Missionári@s e Missiólog@s, sob o olhar benigno de Santa Maria de Guadalupe, padroeira de Puerto Vallarta, Jal., México, em 13 de agosto de 2011.
Apuntes de la charla en la paróquia La Aurora, fundada por nuestro colega Pe. Gabriel Ponce.
“La esperanza es un mensaje central de la fe bíblica (Cf. SpS 2) y del paradigma de la misión. Ella es un puente hacia el mundo cotidiano de los pobres y una raíz de su fe en las alegrías y tristezas de la vida.
Formação missionária na paróquia La Aurora
La memoria del pasado y las experiencias de nuestra fe nos permiten hoy tener esperanza de que mañana haya justicia. El apóstol nos exhorta a estar siempre preparados para dar las razones de nuestra esperanza, con “mansedumbre y respeto” (cf. Pd 3,15ss). “La mansedumbre y el respeto”, ¿no serían esa dosis de duda, de autocrítica y de reconocimiento de que nuestras aspiraciones son, como las aspiraciones de los pobres, “improferibles” en los lenguajes y las lógicas establecidas? Integrar la duda en nuestra doctrina y la autocrítica en nuestras prácticas institucionales no son elementos de su destrucción, sino de su salvación.
Dios, quien escucha el grito de los pobres, está con nosotros en el centro de losconflictos, nos envía en misión a la periferia del mundo para que no haya más centro ni periferia. Al envío precede la convocación al éxodo. Él nos llama a salir de la esclavitud. Esa esclavitud se desdobla en múltiples formas de servidumbre y sumisión.
Cautivos de esperanza
Feliz reencontro de pároco Pe. Gabriel Ponce com sua paróquia "La Aurora"
La misión, que se propone anunciar la “buena nueva a los pobres”, busca, necesariamente, desvincularse del sistema que produce el sufrimiento. La misión de Dios incomoda y desacomoda. Dios, que invita al éxodo, también pone fin al exilio. Zacarías (“el Señor es memoria”), el profeta postexílico, promete liberar a “los cautivos de la esperanza del pozo donde no hay agua” (Zac 9,11). Los cautivos de la esperanza serán arena en las entrañas del sistema (cf. DA 62) y aceite en las transformaciones en curso que benefician a todos.
La ruptura sistémica no depende de la Iglesia, pero es factible con ella. Sus gestos significativos —signos de justicia e imágenes de esperanza— tocan todos sus sectores (formación, teología, catequesis, ministerios, liturgias, pastorales) y articulaciones con sectores más allá del ámbito eclesial. La Iglesia, por medio de sus agentes de pastoral, se halla presente en los diversos movimientos sociales que creen no en un paraíso terrestre, sino en la posibilidad de otro mundo más digno y justo. Su misión es “suscitar esperanza en medio de las situaciones más difíciles, porque, si no hay esperanza para los pobres, no la habrá para nadie” (DAp 395).
En la formación de sus propios líderes, la Iglesia los cualifica espiritual y teológicamente para los choques con el capital en la era de su mundialización, para la intervención y el compartir, para la gratuidad y la solidaridad, para la mística militante. El resucitado es el crucificado. La cruz no pertenece a la prehistoria de las luchas por la liberación. Pertenece a su historia permanente. Y en esa historia definimos etapas, prioridades y metas de otro mundo posible.
La Iglesia de América Latina y del Caribe está frente a tres alternativas dela indiferencia, la adhesión o la ruptura sistémica:
a) con miedo, enterrar los muchos talentos que recibió (Mt 25,14ss);
b) insertarse en el sistema capitalista y proponer pequeñas mejoras; o
c) intervenir con signos de justicia en el mundo injusto, deseñar imágenes de esperançar e cultivarlas semillas del Reino.
Aparecida asumió esa intervención y ruptura como servicio a los pobres. Prometió ser abogada y casa de los pobres. Con “mansedumbre y respeto”, el paradigma de la misión reclama de la Iglesia esa promesa de ser espacio de ensayo de rupturas. La misión ha de ser internamente crítica para poder ser externamente propositiva. Como casa de los pobres, la Iglesia será casa de esperanza —cautiva y cautivante—. En la esperanza saldrá del pozo donde no hay agua y ampliará el espacio de su tienda (cf. Is 54,2). Según una antigua tradición de Israel, el Mesías vendrá cuando todos tengan un lugar en la mesa del pan y de la palabra. La Iglesia puede ser esa mesa.”
"A urgência das DGAE 2011 aponta, como uma espécie de PAC (Programa de Aceleração dos Católicos) eclesial apenas para a velocidade, não para o caminho. Pela falta de recursos e agentes de pastoral nas periferias das nossas grandes cidades, os ministros que restam se tornaram, muitas vezes, missionários e missionárias de Fórmula 1, sobrecarregados com tarefas e distâncias. Estão "na onda” da aceleração exigida pelo mercado e agora pelas DGAE", escreve Paulo Suess, missiólogo e assessor teológico do Cimi, ao analisar as "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015”, em artigo publicado por Adital, 05-08-2011 e Unisinos, 07-08-2011. Na íntegra, o texto será publicado na Revista Eclesiástica Brasileira, fasc. 284, outubro 2011.
Eis o artigo resumido:
No início da Via Appia Antica, na saída de Roma, se encontra a pequena Igreja Quo vadis, Domine("Aonde vais, Senhor?”). Ela lembra a lenda de uma fuga e a história de uma perseguição. Segundo a lenda, o apóstolo Pedro teria fugido das perseguições do imperador Nero (54-68) e se encontrou, no perímetro da Quo-vadis-Domine, com Jesus ressuscitado. À pergunta de Pedro "Aonde vais, Senhor?”, Jesus teria respondido "vou a Roma para ser novamente crucificado”.Neste exato momento, em que o afrouxamento do espírito de pertença à Igreja Católica aponta a diferentes razões de fuga, a CNBB procurou em suas "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015” (DGAE 2011) responder à pergunta: "Aonde vais, Igreja?”
1. Do objetivo geral
Para nossa reflexão sobre caminhar histórico e direção contemporânea da Igreja no Brasil pode ser fecundo comparar o objetivo da XVII Assembleia Geral da CNBB, de abril de 1979, com os objetivos das DGAE de 2008 e de 2011. O Objetivo geral de 1979 rezava:
1979
Evangelizar a sociedade brasileira em transformação,
a partir da opção pelos pobres,
pela libertação integral do homem,
numa crescente participação e comunhão,
visando à construção de uma sociedade fraterna,
anunciando assim o Reino definitivo.
Se colocarmos o novo Objetivo geral das Diretrizes de 2011 ao lado do Objetivo de 2008 e compararmos ambos com o de 1979, temos uma informação "objetiva” sobre mudanças significativas e continuidades a longo e curto prazo. Nos Objetivos de 2008 e 2011, com ênfase no discipulado missionário, percebe-se a influência de novos setores e movimentos. Estes, nos últimos anos, ganharam força na Igreja Católica, influenciaram fortemente o evento de Aparecida (2007) e se sintonizaram mais com o discurso universal, genericamente romano, do que com os contextos geográficos, onde deveriam estar enraizados:
2008
2011
Evangelizar, a partir do encontro com Jesus Cristo, como discípulos missionários, à luz da evangélica
opção preferencial pelos pobres promovendo a dignidade da pessoa,
renovando a comunidade, participando da construção "para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo como Igreja discípula,
missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica
opção preferencial pelos pobres para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10) rumo ao Reino definitivo.
A continuidade verbal das DGAE está na própria evangelização, na opção pelos pobres e no anúncio do Reino de Deus e da Vida. As mudanças significativas que se percebem nos Objetivos gerais de 2011 se encontram em seu cunho nitidamente introvertido. A Igreja das Diretrizes gira em torno de si mesma e perdeu, aparentemente, o horizonte da "libertação integral do homem” (1979) e da "construção de uma sociedade justa e solidária”(2008) de outros tempos. As palavras-chave, na ordem das Diretrizes de 2011 são: evangelizar, Jesus Cristo, Espírito Santo, Igreja discípula, missionária e profética (sem respaldo significativo no próprio texto das Diretrizes), Palavra de Deus, Eucaristia, (finalmente!) a opção preferencial pelos pobres, vida e Reino.
Há uma divergência sobre o ponto de partida para a evangelização: evangelizar "a partir da opção pelos pobres” (1979) ou evangelizar "a partir de Jesus Cristo” (2011) que alguns bispos consideram uma tautologia. Evangelizar a partir da realidade social ou da revelação e doutrina? O "a partir de” pode apontar para um ponto de partida geográfico-social ("a partir do lugar dos pobres”) ou para uma fonte doutrinal ("a partir de Jesus Cristo”). Não devemos confundir "lugar” com "fonte”. Para definir o uso da fonte doutrinal, precisa-se dizer antes a partir de que lugar sociogeográfico se faz uso daquela fonte. A fonte é um instrumento a serviço da causa dos pobres. "Fonte” e "lugar” apontam para níveis diferentes. Uma solução atenuante se oferece através da aproximação de Jesus Cristo aos pobres, portanto, da "fonte” ao "lugar”, como está implícito no "julgamento das nações”, de Mt 25,31-46.
O Objetivo geral das DGAE 2011 aponta para essa discussão de fundo, que é uma discussão semântica e metodológica. Ela procura esclarecer o conceito de realidade e versa sobre a aceitação da metodologia do ver, julgar, agir e da precedência do "lugar social” ante a "fonte doutrinal”.
2. Da realidade
Na 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida (2007), o papa Bento XVI assumiu essa questão e tranquilizou o ambiente, dando, aparentemente, razão a gregos e a troianos. Deve-se, antes de tudo, saber que a metodologia do ver-julgar-agir não é uma invenção da Teologia da Libertação. Trata-se de uma herança da Juventude Operária Católica (JOC), da Bélgica, assumida pelo papa João XXIII, em sua Carta Encíclica Mater et Magistra, de 1961 (MM 236). Por conseguinte, Bento XVI, em Aparecida, não teve mais a possibilidade de rejeitar a metodologia do ver, julgar, agir, mas introduziu nela acréscimos significativos.
A análise da realidade, em documentos eclesiais latino-americanos, está muito ligada ao lugar da "opção preferencial pelos pobres”. No Objetivo geral das DGAE 2011, a opção preferencial pelos pobres está no último lugar possível e seu conteúdo fica aquém da proposta de Aparecida que deu um novo peso a essa opção explicando o significado do "preferencial”, nas DGAE apenas formalmente citada (69): "Que seja preferencial implica que deva atravessar todas as nossas estruturas e prioridades pastorais”(DAp 396).
A opção pelos pobres e pelos "outros” nos coloca em meio a conflitos centrais da humanidade, conflitos que exigem discernimentos e "análise da realidade”. Discernir quer dizer distinguir entre diferentes níveis dessa realidade. Nas Diretrizes de 2011, essa realidade é descrita com certo pessimismo. As "marcas de nosso tempo”, segundo as Diretrizes, são transformações profundas. Em tempos desnorteadores (20) perdemos valores, referenciais e critérios. Tudo isso produz: relativismo, fundamentalismo, laicismo militante contra a Igreja, irracionalidade midiática, amoralismo generalizado (20). Somos dominados por leis do mercado, lucro, bens materiais, hedonismo, sucesso pessoal, individualismo. As Diretrizes acrescentam ainda como "marcas de nosso tempo”: corrupção, violência, narcotráfico, emocionalismo, sentimentalismo, utilitarismo (21 e 22).
O tópico dos "sinais dos tempos”, as Diretrizes mencionam duas vezes (24, 140), sem apontar para seu conteúdo. Quais são esses sinais dos tempos? Qual é seu significado? De fato, a Igreja das Diretrizes não soube nomear os sinais do tempo de hoje. Preocupações internas dificultam a percepção daquilo que Deus nos quer dizer através do mundo. Essa incapacidade de ver Deus atuar fora da Igreja nos faz lembrar a gigantesca coragem de João XXIII que, em sua Carta Encíclica Pacem in Terris (1963), soube ler os "fenômenos [que] caracterizam a nossa época” como "sinais dos tempos”: a emancipação da classe operária, das mulheres e dos países colonizados (cf. PT 39ss), o reconhecimento crescente dos "laços comuns da natureza” que unem a humanidade (PT 126-129) e a Declaração Universal dos Direitos do Homem (PT 142ss).
Em seu Discurso Inaugural (DI) da Conferência de Aparecida, Bento XVI sublinhou a base cristológica da opção pelos pobres. Repetidas vezes o DAp cita essa parte do DI (148, 392, 405, 505). A articulação cristológica e, em sua consequência, trinitária da opção pelos pobres faz dessa opção, e de seus desdobramentos concretos, não só imperativos pastorais irrevogáveis, mas premissa da teologia latino-americana e de sua análise da realidade. Isso nos permite escutar as perguntas de Bento XVI sobre a realidade em geral, a partir da nossa realidade latino-americana e caribenha: "O que é esta `realidade´? O que é o real? São `realidade´ só os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos?” Os sistemas marxistas e capitalistas "falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundante, e por isso decisiva, que é Deus”. E o papa continua: "Só quem reconhece Deus, conhece a realidade e pode responder a ela de modo adequado e realmente humano”.
Pelo bem da verdade temos que acrescentar que não só sistemas ateístas, mas também religiões e, inclusive o cristianismo, podem responder inadequadamente aos reclamos da realidade. Em seguida temos de admitir que nessa visão da realidade se trata de uma mescla de dois níveis de realidade, de uma teológica sobreposta a uma sociológica.
Entretanto, é possível, numa teologia contextual articular os dois níveis da realidade, nos termos cristológicos de Calcedônia, sem confusão (inconfuse) e sem separação (indivise). O Cristo da fé assumiu como Jesus de Nazaré a cruz, que nos protege "da fuga para o intimismo”, como disse o papa, e de interpretações ideológicas da realidade. A análise da realidade com a premissa da opção pelos pobres, que significa "ver Deus nos rostos dos pobres”, não permite o abandono da realidade sociológica nem a sua redução aos grandes problemas econômicos, sociais e políticos. Mas, igualmente, não permite voltar a um Credo desencarnado ou a um Pai-Nosso sem pensar o "pão nosso” de toda a humanidade.
O prefixo de uma cristologia gloriosa em documentos oficiais recentes da Igreja, quase paralelo à realidade das vítimas dos sistemas e dos crucificados da história, se torna repetitivo, cansativo e distante do povo de Deus. Esse povo de Deus que, provavelmente, não se reconhece nas Diretrizes, ama Jesus e se reconhece, sobretudo, em Jesus crucificado. A Igreja precisa reaprender a falar de Jesus crucificado nos pobres. Nos DGAE 2011, a cruz aparece duas vezes (5, 69) e apenas uma vez essas Diretrizes falam do martírio (3).
3. Da estrutura
A 49ª Assembleia Geral, de 2011, considerou sumariamente "a mudança de época como maior desafio” (27). O tópico da "mudança de época” faz, no mínimo, dez anos que aparece em documentos eclesiais. Na estrutura das DGAE 2011 não somos mais confrontados com desafios do mundo, mas com cinco urgências da Igreja na ação evangelizadora, urgências que representam escolhas caseiras e reparos institucionais dos estragos que a mudança de época causa às Igrejas. Eis as cinco urgências que no IV capítulo das Diretrizes se tornam cinco "perspectivas de ação”:
(1) Igreja em estado permanente de missão; (2) Igreja: casa de iniciação à vida cristã; (3) Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral; (4) Igreja: comunidade de comunidades; (5) Igreja a serviço da vida plena para todos.
Como a "opção preferencial pelos pobres” no Objetivo geral, também a verdadeira razão de ser da Igreja, estar "a serviço da vida plena para todos”, se encontra em último lugar nas perspectivas de ação. O quê é realmente urgente na Igreja? Urgente é o grito dos pobres, a dor dos excluídos, a cruz dos injustiçados! O resto são tarefas permanentes (estado permanente de missão, iniciação à vida cristã, animação bíblica, construção de comunidades). Com as urgências, os autores das DGAE não conseguem, como é a sua intenção, "ultrapassar uma pastoral de mera conservação ou manutenção para assumir uma pastoral decididamente missionária, numa atitude que, corajosa e profeticamente, [Aparecida] chamou de conversão pastoral”(DAp 370, DGAE 2011 n. 26).
Não podemos trocar desafios por urgências! E as Diretrizes admitem que as urgências elencadas nem sempre correspondam aos desafios reais (131). A urgência das DGAE 2011 aponta, como uma espécie de PAC (Programa de Aceleração dos Católicos) eclesial apenas para a velocidade, não para o caminho. Pela falta de recursos e agentes de pastoral nas periferias das nossas grandes cidades, os ministros que restam se tornaram, muitas vezes, missionários e missionárias de Fórmula 1, sobrecarregados com tarefas e distâncias. Estão "na onda” da aceleração exigida pelo mercado e agora pelas DGAE.
No conjunto das Diretrizes não falta uma cesta básica de desafios. O que falta é a devida priorização. Todos os desafios são subordinados à "mudança de época como o maior desafio a ser atualmente enfrentado” (27, cf. 26): educação na fé (40, 98), ambientes virtuais (59), mundo plural, globalizado, urbanizado e individualista (60), diversificação dos ministérios leigos, a vida dos abandonados, excluídos, ignorados em sua miséria e dor (66). As Diretrizes elencam ainda outros desafios: juventude (81), ecumenismo (82), diálogo interreligioso (83), missão ad gentes (84), testemunho de Cristo e dos valores do Reino (91), aproximação entre fé e razão (117).
Como já mencionamos, as urgências, que representam as partes centrais das DGAE (capítulo III e IV), são precedidas por uma reflexão cristológica, como ponto de partida (capítulo I), e por "Marcas de nosso tempo”(capítulo II). O capítulo V propõe a operacionalização dessas urgências nas Igrejas particulares através de "um processo de planejamento”. Para este propõe sete passos metodológicos, que as próprias DGAE nem sempre seguem.
Aos sete passos metodológicos correspondem sete perguntas: Onde estamos (1)? Onde precisamos estar (2)? Quais são as urgências pastorais (3)? O que queremos alcançar (4)? Como vamos agir (5)? O que vamos fazer (6)? Como renovar as estruturas (7)? Infelizmente, as perguntas bem feitas não podem romper o círculo de giz eclesiocêntrico previamente estabelecido.
4. Nas entrelinhas
O que não pode ser dito na praça pública, atravessa as Diretrizes nas entrelinhas. Queria destacar algumas dessas palavras quase clandestinas que permitem uma leitura mais profunda do que funcional das DGAE. Na esteira de Aparecida, as DGAE desenvolvem um guia de densa espiritualidade para o discípulo missionário universal em torno dos substantivos "alteridade” e "gratuidade”. Aparecida nos lembrou que "na generosidade dos missionários se manifesta a generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece a gratuidade do Evangelho” (DAp 31). As DGAE 2011 continuam: "As atitudes de alteridade e gratuidade marcam a vida do discípulo missionário de todos os tempos. Alteridade se refere ao outro, ao próximo, àquele que, em Jesus Cristo, é meu irmão ou minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta” (8). As DGAE, quando falam do outro como irmão e do apostolado como graça, enfatizam, em determinados enxertos, a fonte cristológica: "Gratuidade e alteridade são, portanto, modos de compreender o que há de mais decisivo em Jesus Cristo: a saída de si, rumo à humanidade [...]” (12).
Na acolhida do outro acolhemos Jesus e na acolhida de Jesus, que se fez Palavra do Pai, acolhemos o outro (cf. 50s). As diferenças nos convidam "ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha e ao intercâmbio de vida e à solidariedade” (ibd.). O intercâmbio da vida é prefigurado em Jesus e se resume nas palavras "doação”, "desprendimento” e "esvaziamento”(16). Por conseguinte, "todo relacionamento é [...] chamado a acontecer na gratuidade. À semelhança de Cristo Jesus que, saindo de si, foi ao encontro dos outros, nada esperando em troca (cf. Fl 2,5ss)” (9). O discípulo missionário "é chamado a profeticamente questionar, através de suas escolhas e atitudes, um mundo que se constrói a partir da mentalidade do lucro e do mercado” (DGAE n. 9). A gratuidade corta "a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração e de toda discórdia” (9). Ela é a "vitória sobre a ambição” (69). Num mundo dominado por lucro e mercado, por vingança e ressentimento, a acolhida gratuita do outro significa despojamento e perdão. São atitudes proféticas que fazem parte de um mundo novo, do outro mundo que é possível, do Reino de Deus no meio de nós (cf. 9s, 140).
Gratuidade e alteridade lembram o que já foi dito no documento "Evangelização e missão profética da Igreja” da 43ª Assembleia Geral, de 2005: "Evangelizar é uma ação eminentemente profética, anúncio de uma Boa-Nova portadora de esperança. A profecia será, pois, a forma mais eficaz de anunciar a Boa Nova” (Evangelização e missão, cap. 1).
Aonde vais, Igreja? Não estamos indo por aí, sem rumo. As reais urgências e os verdadeiros anseios do povo de Deus revelam-se nas entrelinhas das DGAE: a Igreja profética, o reconhecimento da alteridade, a gratuidade da missão e a fidelidade a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado no meio do povo. Aí se encontra a possibilidade de a Igreja no Brasil interromper a fuga e ser, o que deve ser: "expressão da encarnação do Reino de Deus no hoje de nossa história” (141).
No cenário de múltiplas patologias da modernidade tardia (consumo, acumulação, aceleração), a missão presbiteral é uma missão profética. Essa missão profética é dialeticamente vivida na assunção cultural e na contraculturalidade. “Assunção” significa, segundo o Santo Irineu, “assumir para redimir”, significa inculturação e aggiornamento. A “contraculturalidade” é vivida no despojamento do peregrino (vs. consumo), na gratuidade eucarística (vs. acumulação) e como freio de emergência de um trem chamado barbárie (vs. aceleração). O sacerdote cristão não é, em primeiro lugar, um servidor do culto ou um encarregado de rituais, mas um enviado que no encontro com os necessitados continua a missão de Jesus Cristo. Nessa missão experimenta que sua força vem do “poder de Deus” que, como padre, carrega no “vaso de barro” de sua vida (cf. 2Cor 4,7). Na fragilidade dos padres está presente a fragilidade das estruturas eclesiais, das tradições culturais, das comunidades e da configuração sistêmica do mundo. O presbítero faz parte da cultura que questiona e do Reino que anuncia. Ele é cálix bento e vaso de barro. [cf. Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 70, fasc. 279, 2010, p. 532-563 e também:
Documentário de Silvio Tendler sobre o perigo dos agrotóxicos
Na última semana de julho, foi lançado no Rio de Janeiro o documentário “O Veneno está na Mesa”, de Silvio Tendler. O filme mostra como o país/governo facilita o consumo dos agrotóxicos e como movimentos sociais e setores minoritários do próprio governo como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) têm tentado alertar sobre a questão. Com entrevistas de trabalhadores rurais, pesquisadores da área da saúde, o documentário denuncia casos de contaminação pelo uso de agrotóxicos e mostra como é possível estabelecer outro modelo de produção, baseado na agroecologia. O documentário tem o selo “copie e distribua”. Silvio Tendler: “A partir do momento em que a sociedade se organiza e se mobiliza, nós podemos começar a pensar na vida sem agrotóxico, pensar num outro projeto de vida que a gente quer fazer”. A seguir quatro trechos do filme:
Projeção de geração de energia salta de 143 GW para pelo menos 300 GW
Vivian Oswald
Em menos de uma década, a energia que vem dos ventos conquistou espaço no mercado brasileiro, atraiu investimentos bilionários e tem hoje potencial superior ao hidrelétrico. Levantamento inédito da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com base nas informações recebidas pelas empresas, está redimensionando de 143 gigawatts (GW) para pelo menos 300 GW o potencial de geração de energia eólica no país. No caso da hidreletricidade são estimados 261 GW.
Os dados farão parte de um sistema que já está pronto, mas que só deve se tornar público no fim do ano. A ideia é garantir ao mercado o maior número de informações sobre os ventos e as localidades de maior incidência em tempo real, segundo o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim.
Brasil é o 12º mercado mais atrativo do setor
É atrás desses bons ventos que grandes multinacionais estão desembarcando no país. O Brasil tornou-se o 12º mercado mais atraente do mundo para negócios em energia renovável e pode subir para a 10ª posição até o fim deste ano, no ranking da Ernst & Young Terco para 35 países, segundo antecipou ao GLOBO o sócio da área de transações da consultoria, Luiz Claudio Campos. Esta é a melhor posição que o Brasil já atingiu no ranking, que não inclui as hidrelétricas por não considerá-las tão verdes - disse.
A China se mantém na liderança, sendo seguida dos Estados Unidos
As companhias do setor já não esperam nem sequer os leilões realizados pelo governo e começaram, este ano, a negociar energia eólica no mercado livre, o que também é inédito. É o caso da belga Tractebel Energia. A Eletrosul, que deve aumentar de 15 para 45 torres o número de aerogeradores - como são chamados os imensos ventiladores que produzem energia eólica - no parque de Cerro Chato, no Rio Grande do Sul, se prepara para entrar no mercado livre também.
[do site do Ministério das Relações Exteriores, 24.7.2011]
O dia 25 de julho foi instituído pela ONU, como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino americana e Caribenha, durante o I Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, no ano de 1992. Definiu-se que este dia seria o marco internacional da luta e resistência da mulher negra. Desde então, vários setores da sociedade têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero, raça e etnia vivida pelas mulheres negras latino-americanas e caribenhas.
A situação da mulher negra no Brasil de hoje manifesta um prolongamento da sua realidade no período de escravidão, com poucas mudanças, pois ela continua em último lugar na escala social e é quem mais carrega as desvantagens do sistema injusto e racista do país. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade e trabalha mais com menor salário.
A seguir algumas mulheres negras em homenagem a todas: