No dia 8 de dezembro de 2015, festa da
Imaculada Conceição e dia do cinquentenário da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano
II, o Papa Francisco inicia a celebração de um “Jubileu Extraordinário da
Misericórdia”, com a abertura da Porta Santa. O papa aproveita uma antiga
tradição judaico-cristã (cf. Lev. 25), que a cristandade celebrou pela primeira
vez no ano 1300, para envolver povo e hierarquia na continuidade criativa do
Concílio, e para cobrar da Igreja a Missão de anunciar e praticar o “Evangelho
da Misericórdia” (EG 188). Ao mesmo tempo pode-se entender esse Ano Santo
antecipado ou “extraordinário” como sutil aviso, que o Papa Francisco não conta
alcançar, em sua função de “bispo de Roma”, o próximo Ano Santo Ordinário, que
seria em 2025.
Já na Evangelii gaudium Francisco nos avisou: “O tempo é superior ao
espaço” (EG 222-225). O tempo significa “processo”, “transformação”, “saída”, “kairós”, “Igreja acidentada, ferida,
enlameada”. O espaço, porém, significa “poder”, “colonização”, “latifúndio”, “escravidão”,
“desigualdade”, “Igreja – Cidadela privilegiada” ((Misericordiae vultus/MV, 4). O Ano Santo procura recuperar o
horizonte do bem viver e interromper os vícios do espaço.
Maria,
a misericordiosa desatadora dos nós

Deus
olhou nele com misericórdia

A
misericórdia não substitui a justiça, mas a ultrapassa: “Jesus vai além da lei,
a sua partilha da mesa com aqueles que a lei considerava pecadores permite
compreender até onde chega a sua misericórdia” (MV 20). Segundo Santo
Agostinho, “é mais fácil que Deus contenha a ira do que a misericórdia” (MV
21).
A missão
dos eleitos, de Davi e Pedro, de Paulo e Agostinho não aconteceu por causa de
seus méritos, mas por causa da misericórdia de Deus. O povo de Israel
compreendeu a Lei como Dom do amor de Deus, não como castigo. A misericórdia é
uma herança da “espiritualidade judaica do pós-exílio que atribuía um especial
valor salvífico à misericórdia” (EG 193).
Pecado irreversível?

Para
estabelecer um consenso possível nessas questões, que são sobretudo de ordem
cultural, o Papa Francisco propôs
a realização de um Ano Santo da Misericórdia e deu para entender, que somente a
sinodalidade como modus operandi e a
misericórdia, como modus vivendi nos
areópagos e nas periferias de hoje, seriam capazes de propulsionar a “conversão
pastoral”. Conversão pastoral significa transformação missionária da Igreja e a
Igreja missionária, por sua vez, é uma “Igreja em saída” (cf. EG 20-33),
simbolizada pela porta aberta. Na “Porta da Misericórdia” se manifesta a onipotência de Deus
(cf. EG 37). Em sua onipotência, Deus se faz pequeno como no presépio e na
cruz.
Retomar
o Vaticano II e a missão

Ao abrir o portal do Ano da
Misericórdia em nossas comunidades vamos reconhecer, novamente, a nossa
identidade mais profunda como liberdade e solidariedade. A liberdade na porta
aberta do centro nos impulsiona para a solidariedade na periferia. E o encontro
nas periferias humanas é o início de uma aliança da misericórdia que nos faz
reconstruir um mundo sem centro e sem periferia.
Paulo Suess
Eis uma preciosa síntese do pensamento e da prática de nosso querido Papa Francisco, a feliz escolha, inspiração do Espírito Santo, para conduzir, animar, fortalecer e mostrar o caminho a todas as pessoas de boa vontade, da reconciliação, do perdão, da partilha, da solidariedade e do bem viver!
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